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sexta-feira, 15 de março de 2019

As profissões do futuro estarão conectadas em rede...

“Administração 4.0”, nada mais é que o ser-humano
é o grande transformador não só da internet, 
mas de todas as ramificações que dela origina 
Foto: Pixabay

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 15 de março de 2019

As profissões do futuro estarão conectadas em rede, diz especialista

A aldeia global formada pela internet modificou as relações pessoais e fez emergir novos paradigmas de comunicação e consumo. Surfando na crista dessa onda, o coordenador do curso de comunicação da Unisassau, Demerson Tavares, afirma que cada vez haverá uma integralização em rede entre todas as profissões. Para o especialista, o indivíduo passará a ser o agente e o principal fio condutor da “Administração 4.0”, isto é, o ser-humano é o grande transformador não só da internet, mas de todas as ramificações que dela origina.

Especialista detalha globalização do conhecimento
que passou a permear todas as áreas do conhecimento 
Foto: Portal Infonet

“Atualmente para você trabalhar não precisa necessariamente ir para uma empresa”, destaca logo de início Demerson. No entanto, para se chegar nesse estágio, ele explica os caminhos trilhados pela administração foram lentos e graduais. Ele conta que a indústria passou por algumas fases até chegar ao momento atual. “Houve o período da indústria 2.0, que foi relativa às máquinas a vapor; tivemos também o período da indústria 3.0, que consiste na informatização e agora temos chegamos a era da 4.0, onde tudo está conectado em si”, explica.

A partir desse estágio, o especialista detalha a globalização do conhecimento que passou a permear todas as áreas do conhecimento. “As profissões estão interligadas em rede. Desde as licenciaturas aos cursos que englobam administração de negócios”, informa. Para ele, tudo passou a ser mais rápido, dinâmico e agregador. “Eu tenho alunos da Administração, Contabilidade e Recursos Humanos que trabalham juntos. Há algum tempo isso era impensado”, acrescenta.

Diante dese novo quadro de conexão da indústria contemporânea, as oportunidades de emprego, segundo Demerson, estão mais globalizadas. E por estarem em escala global há a necessidade de qualificação para que haja mão de obra profissional para os tempos modernos. “A trabalhabilidade coloca o aluno à frente em muitas situações. Ele, por exemplo, decide qual carreira seguir e onde trabalhar”, afirma. Demerson define essa “trabalhabilidade” como o conhecimento que o pessoa tem para criar novas oportunidades de emprego.

“Durante as palestras que eu ministro, por exemplo, eu explico aos alunos os modelos de negócio tradicional, mas também enfatizo a importância do ambiente digital”, relata. Demerson diz que tudo está alinhado à sociedade em rede e, por isso, é essencial que os negócios também caminhem de mãos dadas com a tecnologia. “35% do faturamento de uma organização podem ser aumentados com o meio digital”, informa.

Por João Paulo Schneider e Jéssica França

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br

terça-feira, 12 de março de 2019

Cern, berço da internet, celebra 30 anos da rede...

Cern: organização que deu origem
 à internet completou 30 anos 
Foto: Fabrice Coffrini/Pool/Reuters

Publicado originalmente no site da revista EXAME, em 12 de março de 2019

Cern, berço da internet, celebra 30 anos da rede mundial de computadores

Tim Berners-Lee, pai da World Wide Web (WWW), analisa pontos bons e ruins de sua invenção durante evento

Por EFE 

Genebra – Há trinta anos, um físico britânico concebeu na Organização Europeia de Pesquisas Nucleares (Cern) a invenção que mudou a história moderna, a rede mundial de computadores (WWW, pela sigla de seu nome original, World Wide Web) ou simplesmente a internet, um aniversário que a organização celebrará nesta terça-feira.

O pai da World Wide Web, Tim Berners-Lee (Londres, 1955), estará presente no evento, no qual revisará as coisas boas e ruins que sua invenção apresentou desde então à humanidade, e serão discutidas questões como a necessidade de fortalecer a transparência e as ameaças de censura que se multiplicam.

Este mês marca as três décadas transcorridas desde que Berners-Lee enviou a seu chefe no Cern a proposta do que seria o ponto de partida do uso da internet como se conhece hoje e que respondia à demanda para que os cientistas pudessem compartilhar informação de forma automatizada com universidades e outras instituições no mundo.

A iniciativa se transformaria em dezembro do ano seguinte no primeiro navegador, site e servidor, que começaram a funcionar coincidindo com o Natal de 1990, para quando o físico especializado em ciências da computação já tinha definido os conceitos básicos do que seriam os códigos html, http e URL.

De fato, o primeiro site da história se dedicou a oferecer informação sobre o projeto da World Wide Web.

Tim Berners-Lee inventou o “www” 
Foto: Fabrice Coffrini/Pool/Reuters

Foi assim que a WWW se transformou no programa que permitiu a utilização da internet, uma infraestrutura já existente, mas que tinha encontrado inumeráveis problemas para funcionar como uma rede e que, sem a invenção de Berners-Lee, nunca teria se transformado na ferramenta que mudou a vida de praticamente todo o mundo.

Os desenvolvimentos posteriores foram rápidos e, em abril de 1993, o Cern decidiu que a WWW deveria ser de domínio público e, dos 500 servidores conhecidos naquele ano, passou para mais de 10 mil no seguinte, dos quais 2 mil eram de uso comercial.

Até ali, os usuários desse protocolo eram 10 mil, enquanto hoje estima-se que metade da população mundial tem acesso à internet.

O uso da internet, no entanto, está retrocedendo em vários países por restrições de acesso que cada vez mais Estados impõem como meio de limitar a liberdade de expressão e o direito à informação.

O exemplo clássico é a China, onde as autoridades mantêm uma forte censura sobre os conteúdos e não hesitam em sancionar empresas por conteúdos que julgam inadequados. Essa problemática, no entanto, está muito mais difundida no mundo.

Os protestos deste fim de semana na Rússia contra um projeto de lei sobre o desligamento da internet em caso de ameaças externas que está sendo discutido no parlamento é o exemplo mais recente dessa tendência, que também é observada em países como Turquia, Irã, Egito e Índia, entre outros.

No Ocidente, as preocupações são de outra natureza e, ao mesmo tempo em que se defende a liberdade da internet, existe a defesa de regulamentações que protejam a privacidade dos indivíduos e que tornem as companhias tecnológicas responsáveis pelos excessos nos quais possam incorrer.

Os desafios que se apresentam no 30º aniversário da Web serão debatidos amanhã, terça-feira, em um painel no Cern no qual participarão especialistas, empresários da internet, defensores dos programas em código aberto e gratuito.

Também falarão cientistas que trabalharam com Berners-Lee na organização científica quando ele ainda trabalhava em seu projeto.

Texto e imagens reproduzidos do site: exame.abril.com.br

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Facebook faz 15 anos: um adolescente com problemas de adulto


Publicado originalmente no site ALÔ NEWS, em 03/02/2019

Facebook faz 15 anos: um adolescente com problemas de adulto

Rede social tornou-se a maior do mundo, com mais de dois bilhões de usuários, mas sucesso não a deixa longe das polêmicas

Em 4 de fevereiro de 2004, Mark Zuckerberg disponibilizou online um "embrião" do Facebook. Atualmente - escreve a agência France Presse (AFP) - a empresa está onipresente no dia a dia de um quarto da humanidade e vale 500 bilhões de dólares em bolsa, tendo encerrado 2018 com um lucro recorde de 22,112 bilhões de dólares, mais 39% do que no ano anterior.

Já o seu criador e líder tem, aos 34 anos, uma fortuna avaliada em 62 bilhões de dólares.
Mas esta incrível "história de sucesso" foi, há perto de dois anos, comprometida por um fluxo quase ininterrupto de escândalos e de revelações acerca dos métodos utilizados pela rede social, cujas receitas provêm da publicidade.

A lista de críticas é longa: utilizadores inquietos com a desinformação que circula na plataforma, defensores da vida privada que se insurgem contra a recolha cada vez mais massiva de dados pessoais para deles se retirar proveito financeiro e, mesmo, ativistas dos direitos humanos.

"Trata-se de uma empresa muito poderosa, que criou um produto viciante do qual muitas pessoas estão dependentes", sublinha o autor e analista Josh Bernoff, salientando que "isto implica uma enorme responsabilidade".

Já a analista da eMarketer Debra Aho Williamson considera que, "depois dos problemas de 2018, [o Facebook] deixou de ser elogiado pelas suas inovações": "Os seus menores feitos e gestos são escrutinados e criticados", nota, sustentando que, "aos 15 anos, o Facebook tem de enfrentar a maturidade, já não é um principiante".

Atualmente, o Facebook tornou-se num império que detém algumas das aplicações gratuitas mais populares do mundo: o Instagram, que revolucionou a fotografia e o relacionamento com a imagem, ou aplicações de mensagens como o Messenger e o WhatsApp.

Cada uma destas aplicações possui mais de um bilhão de utilizadores e permite captar um público jovem, que tem se afastado cada vez mais do Facebook, por muitos já encarado como uma rede "para os pais".

Nos últimos meses, Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg, a poderosa número dois do grupo e a responsável pelo seu modelo econômico ultra eficaz, lançaram-se numa verdadeira campanha de "mea culpa", prometendo "fazer melhor e mais rápido" no combate a questões como a desinformação ou os apelos ao ódio.

A empresa tem investido milhões e milhões de dólares para sanear a plataforma, quer com sistemas automáticos, quer também recorrendo a contratações de novos quadros, sendo atualmente já 30.000 os funcionários dedicados a questões de segurança e confidencialidade.

Atacado de forma pessoal, e às vezes mesmo virulenta, Mark Zuckerberg tem uma estratégia de defesa bem alinhada: o Facebook serve para ajudar as pessoas a reaproximarem-se, pelo que podemos confiar nele.

E, apesar das críticas à sua gestão de dados pessoais, está fora de questão alterar o modelo: o serviço é gratuito graças à publicidade e os seus algoritmos orientam-se por entre o emaranhado de dados pessoais que são recolhidos e cruzados.

E isto funciona: o número de utilizadores continua a aumentar e os anunciantes continuam lá.

Josh Bernoff está, contudo, mais cético: "O capitalismo ensinou-nos a redobrar a vigilância quando as empresas que têm imenso poder nos dizem que fazem o que é melhor para nós", sustenta.

Com o objetivo de demonstrar a sua boa vontade, Mark Zuckerberg decidiu este ano participar em debates públicos para refletir sobre o futuro da Internet e sobre como melhor servir a sociedade.

"Vou envolver-me publicamente, além do que a minha zona de conforto me tem permitido até agora, e vou participar nestes debates sobre o futuro, sobre os compromissos que devemos assumir e sobre a direção que queremos tomar", anunciou no início deste ano, em resposta às principais questões que têm vindo a ser apontadas pelos críticos da rede social.

Com a história repleta de empresas que pareciam incontornáveis até desaparecerem, o perigo para o Facebook pode vir de uma alteração na forma como as pessoas utilizam e interagem com os seus dispositivos eletrônicos.

Josh Bernoff questiona, por exemplo, se o Facebook estará preparado para a ascensão fulgurante de dispositivos inteligentes como os disponibilizados pela Google ou mesmo pela Amazon.

"O futuro vai pertencer cada vez mais à voz e às empresas e indivíduos que interagem através da inteligência artificial", sublinha o analista, acrescentando: "Não é certo que haja espaço para o Facebook à medida que as pessoas alteram a sua maneira de interagir com o resto do mundo".

Texto e imagem reproduzidos do site: alonews.com.br

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Diga adeus à era da informação...


Publicado originalmente no site Awebic, em 26.09.2018 

Diga adeus à era da informação: agora é tudo uma questão de reputação

Por Awebic

Existe um paradoxo subvalorizado de conhecimento que desempenha um papel central em nossas democracias liberais hiperconectadas avançadas:

Quanto maior a quantidade de informação que circula, mais confiamos nos chamados dispositivos de reputação para avaliá-la.

O que torna isso paradoxal é que o acesso ampliado à informação e ao conhecimento que temos hoje não nos capacita nem nos torna mais cognitivamente autônomos.

Pelo contrário, isso nos torna mais dependentes dos julgamentos e avaliações de outras pessoas das informações com as quais nos deparamos.

Estamos passando por uma mudança fundamental de paradigma em nossa relação com o conhecimento.

A partir da “era da informação”, estamos caminhando para a “era da reputação”, na qual a informação terá valor apenas se já estiver filtrada, avaliada e comentada por outras pessoas.

Visto sob esta luz, a reputação tornou-se um pilar central da inteligência coletiva hoje. É a guardiã do conhecimento, e as chaves do portão são mantidas por outros.

A maneira pela qual a autoridade do conhecimento é agora construída nos torna dependentes de quais são os julgamentos inevitavelmente tendenciosos de outras pessoas, a maioria das quais não conhecemos.

Fim da era da informação

Deixe-me dar alguns exemplos desse paradoxo.

Se você for perguntado por que acredita que grandes mudanças no clima estão ocorrendo e pode prejudicar dramaticamente a vida futura na Terra, a resposta mais razoável que pode fornecer é que confia na reputação das fontes de informação às quais você normalmente adquire informações sobre o estado do planeta.

Na melhor das hipóteses, você confia na reputação da pesquisa científica e acredita que a revisão por pares é uma maneira razoável de filtrar “verdades” de hipóteses falsas e “besteiras” sobre a natureza.

No cenário de caso comum, você confia em jornais, revistas ou canais de TV que endossam uma visão política que apoia a pesquisa científica para resumir suas descobertas para você.

Neste último caso, você é removido duas vezes das fontes: você confia na confiança de outras pessoas na ciência respeitável.

Ou, adote uma verdade ainda mais controversa que discuti longamente em outro lugar: uma das mais notórias teorias da conspiração é que nenhum homem pisou na Lua em 1969, e que todo o programa Apollo (incluindo seis aterrissagens na Lua entre 1969 e 1972) foi uma encenação.

O iniciador dessa teoria da conspiração foi Bill Kaysing, que trabalhou em publicações da empresa Rocketdyne — onde os motores de foguete Saturn V da Apollo foram construídos.

Por conta própria, Kaysing publicou o livro “We Never Went to the Moon: America’s $30 Billion Swindle” (1976). Após a publicação, um movimento de céticos cresceu e começou a coletar evidências sobre o suposto embuste.

Segundo a Sociedade da Terra Plana, um dos grupos que ainda nega os fatos, os pousos na Lua foram encenados por Hollywood com o apoio de Walt Disney e sob a direção artística de Stanley Kubrick.

A maioria das “provas” que eles avançam baseiam-se em uma análise aparentemente acurada das imagens dos vários pousos.

Os ângulos das sombras são inconsistentes com a luz, a bandeira dos Estados Unidos sopra mesmo que não haja vento na Lua, os trilhos dos passos são muito precisos e bem preservados para um solo em que não há umidade.

Além disso, não é suspeito que um programa que envolveu mais de 400.000 pessoas durante seis anos tenha sido encerrado abruptamente? E assim por diante.

A grande maioria das pessoas que consideraríamos razoáveis ​​e responsáveis ​​(inclusive eu) rejeitará essas afirmações, rindo do próprio absurdo da hipótese (embora tenha havido respostas sérias e documentadas da NASA contra essas alegações).

No entanto, se eu me perguntar em que base probatória acredito que houve um pouso na Lua, devo admitir que minha evidência é muito pobre, e que nunca investi um segundo tentando desmascarar a evidência acumulada por esses teóricos da conspiração.

O que eu pessoalmente conheço sobre os fatos mistura lembranças confusas de infância, notícias de televisão em preto e branco e deferência ao que meus pais me contaram sobre o pouso nos anos subsequentes.

Ainda assim, a qualidade total e indireta não confirmada dessa evidência não me faz hesitar quanto à verdade de minhas crenças sobre o assunto.

Minhas razões para acreditar que o pouso na Lua ocorreu vão muito além das evidências que posso reunir e checar do evento em si. Naqueles anos, confiamos que uma democracia como os EUA tivesse uma reputação justificada de sinceridade.

Sem um julgamento avaliativo sobre a confiabilidade de uma determinada fonte de informação, essa informação é, para todos os fins práticos, inútil.

Fim da era da informação

A mudança de paradigma da era da informação para a era da reputação deve ser levada em conta quando tentamos nos defender de “fake news” e outras técnicas de desinformação que estão proliferando nas sociedades contemporâneas.

O que um cidadão maduro da era digital deve ser competente não está detectando e confirmando a veracidade das notícias.

Em vez disso, ela deve ser competente para reconstruir o caminho da reputação da informação em questão, avaliar as intenções daqueles que a circularam e descobrir as agendas dessas autoridades que lhe dão credibilidade.

Sempre que estamos a ponto de aceitar ou rejeitar novas informações, devemos nos perguntar: De onde isso vem? A fonte tem uma boa reputação? Quem são as autoridades que acreditam nisso? Quais são as minhas razões para deferir a essas autoridades?

Tais perguntas nos ajudarão a entender melhor a realidade do que tentar verificar diretamente a confiabilidade das informações em questão.

Em um sistema hiperespecializado em produção de conhecimento, não faz sentido tentar investigar por conta própria, por exemplo, a possível correlação entre vacinas e autismo.

Seria uma perda de tempo e, provavelmente, nossas conclusões não seriam precisas.

Na era da reputação, nossas avaliações críticas devem ser dirigidas não ao conteúdo da informação, mas sim à rede social de relações que moldaram esse conteúdo e lhe deram um certo “grau” merecido ou imerecido em nosso sistema de conhecimento.

Essas novas competências constituem uma espécie de epistemologia de segunda ordem.

Elas nos preparam para questionar e avaliar a reputação de uma fonte de informação, algo que filósofos e professores deveriam estar elaborando para as gerações futuras.

De acordo com o livro de Frederick Hayek, “Law, Legislation and Liberty” (1973):

“A civilização repousa sobre o fato de que todos nós nos beneficiamos do conhecimento que não possuímos”.

Um mundo cibernético civilizado será aquele em que as pessoas saibam avaliar criticamente a reputação das fontes de informação e possam capacitar seus conhecimentos aprendendo como avaliar adequadamente o “ranking” social de cada bit de informação que entra em seu campo cognitivo.

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Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Aeon, escrito por Gloria Origgi.

Texto e imagem reproduzidos do site: awebic.com

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Google, o gigante tecnológico, comemora seu 20º aniversário

20º aniversário do Google

Publicado originalmente no site Brasil El País, 27 SET 2018

Google, o gigante tecnológico, comemora seu 20º aniversário

O buscador mais utilizado, que pertence à terceira empresa mais importante do mundo, faz 3,5 bilhões de buscas por dia, à média de 0,19 segundo cada uma

Por Alberto López 

 “Vinte anos não são nada”, cantava Carlos Gardel em seu tango Volver. Mas, em termos de tecnologia, 20 anos são um período suficientemente longo para que não recordemos com exatidão como podíamos viver sem ela… O Google mudou nossas vidas, a ponto de conhecer nossos hábitos e gostos de consumo, nos sugerir atividades de lazer e nos facilitar a vida, embora para isso tenhamos nos tornado dependentes da maldita (ou bendita) tecnologia.

Há duas décadas, bibliotecas e hemerotecas eram as fontes mais confiáveis da informação, e as enciclopédias, as melhores aliadas do conhecimento. Entretanto, de um tempo para cá, o acesso à Internet substituiu esse esforço de aprender e conhecer pela comodidade de um clique. O acesso ao conhecimento mundial em tempo real nos abriu ao mundo quase ao mesmo tempo em que foi limitando nossa capacidade de esforço, atenção e até surpresa. Os tradicionais boatos e rumores foram substituídos pelas fake news (notícias falsas), e algo parece confiável se vimos na Internet.

O buscador mais famoso e utilizado do mundo celebra 20 anos de existência nesta quinta-feira, 27 de setembro. Até seus criadores, que hoje chamaríamos de freaks, desconheciam o alcance de sua paixão pela tecnologia e da sua ideia revolucionária que criaria um gigante. Para comemorar esta data, o Google fez um doodle em forma de vídeo que sintetiza sua essência: qualquer coisa que procurar, e em qualquer idioma, você encontrará, já que o buscador de sites mais famoso do mundo tem uma oferta de mais de 150 idiomas e está presente em 190 países.

O 27 de setembro ficou como data oficial da criação do Google, mas na verdade nem seus fundadores sabem ao certo o dia exato em que ele veio à luz. A única certeza, pela quantidade de efemérides que a multinacional tem para celebrar neste mês, é que setembro é o mês da companhia norte-americana.

Seu início remonta a dois jovens universitários, Larry Page e Sergey Brin, que ficaram amigos compartilhando um sonho empresarial em 1995, quando estudavam informática e programação na Universidade de Stanford. Um ano depois começaram a colaborar num buscador chamado BackRub, que funcionou nos servidores da universidade até que finalmente ocupava muita largura de banda e foi desativado.

Naqueles anos do final do século passado, havia outros buscadores, como o AltaVista, que permitiam acessar milhões de sites indexados em seus servidores. Melhorá-los com o uso de palavras-chaves era o objetivo de Page e Brin. Até mesmo na história do nascimento do Google se conta que seus criadores foram visitar os donos do AltaVista, que rejeitaram a ideia deles. Atualmente, aqueles estudantes estão à frente de um gigante, enquanto que aquele poderoso buscador de antigamente fechou há alguns anos.

Em 1997, Larry e Sergey decidiram mudar o nome do BackRub e apostaram em Google, um jogo com a palavra googol, termo matemático que descreve o número 1 seguido de 100 zeros.

Vendo um bom negócio naquela ideia de buscador, Andy Bechtolsheim, um empresário de capitais de risco, apostou neles em agosto de 1998 e lhes ofereceu um cheque de 100.000 dólares, quando, na verdade, nem Larry nem Sergey viam utilidade no Google inicialmente, e a empresa nem existia ainda. O milionário também lhes perguntou como pensavam em fazer publicidade, e eles responderam que não a fariam, que o boca-a-boca seria mais do que suficiente.

Aquele investimento permitiu que Page e Brin deixassem os alojamentos universitários como local de trabalho e se mudassem para uma garagem em Menlo Park. Também naquele mês, Larry e Sergey contrataram Craig Silverstein como seu primeiro funcionário.

A firma Google Inc. foi registrada em 4 de setembro de 1998, mas essa data caiu no esquecimento, embora, para as repartições públicas, seja o verdadeiro dia da fundação. Também caiu no esquecimento o 8 de setembro, oficiosamente a data da criação até 2005, e o 27, ou seja, hoje, a data em que o famoso buscador estreou. Na verdade, Ryan Germick, o homem que criou os famosos doodles, (o primeiro, aliás, antes ainda do nascimento do Google, em 30 de agosto), admitiu em 2013: “Quando é o aniversário do Google? Tenho a impressão de que a gente não sabe”.

A partir do final de setembro de 1998, o Google.com, ainda em fase beta, tinha cerca de 10.000 buscas diárias, e a imprensa começava a falar do novo buscador e do seu excelente funcionamento. Um ano depois, conseguiram 25 milhões de dólares de dois importantes investidores, e os modestos escritórios ficaram pequenos, então se transferiram para o Googleplex, a atual sede central do Google em Mountain View, Califórnia. Desde 2004 negocia ações na Bolsa, onde se tornou a terceira multinacional mais importante, atrás da Apple e da Amazon.

O que começou sendo um projeto universitário em apenas um ano virou uma grande empresa com um crescimento exponencial. Afinal, a companhia em que todo mundo gostaria de trabalhar – pelas imagens compartilhadas das suas instalações e rotinas de trabalho e lazer – adotou em 2002, no seu quarto aniversário, o 27 de setembro como data oficial de fundação, mas na verdade passa o mês inteiro comemorando.

O Google nunca deixou de inovar e se adaptar aos tempos e às circunstâncias, então, salvo raros fracassos – que também houve, como Google+, Google Glass, Buzz, Wave, Google Vídeo Player e Picasa –, tudo o que empreendeu virou ouro: mapas (Maps), e-mails (Gmail), navegador (Chrome), sistema operacional (Android), além da compra de outras bem-sucedidas empresas como o YouTube.

No final de 2015, o Google sofreu uma reestruturação e criou uma empresa controladora, chamada Alphabet, que passou a fiscalizar tanto o gigante como suas filiais de saúde (Verily), inteligência artificial (Deep Mind) e veículos autônomos (Waymo). Além disso, o Google também fabrica há alguns anos aparelhos como o smartphones Pixel e os alto-falantes inteligentes Home, e no ano passado apresentou aparelhos auditivos que traduzem idiomas em tempo real utilizando seu serviço de conversão de idiomas.

Atualmente, a marca Google vale mais de 141 bilhões de dólares (568,6 bilhões de reais), e seus serviços vão muito além de um simples buscador da internet: mapas, plataformas de conteúdo audiovisual, análise de dados, armazenamento de livros, publicidade… e até um assistente inteligente.

Algumas das curiosidades do Google: concentra 91% das buscas na Internet em nível mundial, tem 80.000 funcionários, e até o Oxford English Dictionary incluiu em 2006 a palavra google como um verbo, embora googlar ainda não conste em nenhum dicionário brasileiro. Além disso, seis de seus produtos superaram um bilhão de usuários (o buscador, o YouTube, o Gmail, o Maps e a Play Store), e diariamente ele traduz mais de 150 bilhões de palavras em mais de 150 idiomas e nos cinco continentes.

Graças ao Google e a plataformas como Blogger e YouTube, hoje em dia também aceitamos termos como blogueiros e youtubers, atividades que antes não existiam e com a qual não pouca gente ganha a vida, e muito bem.

Mas nem tudo é maravilhoso num gigante implantado em nível mundial. Sua posição dominante como buscador, em publicidade e nos sistemas operacionais móveis lhe valeu críticas, denúncias e multas. Recentemente, a Comissão Europeia impôs ao Google uma multa histórica de quase cinco bilhões de euros (23,6 bilhões de reais) ao considerar que a multinacional violava o direito à livre concorrência por pré-instalar seus aplicativos nos aparelhos celulares com sistema operacional Android. Antes, em 2017, foi imposta outra multa, de 2,5 bilhões de euros, por abusar da sua posição dominante nas buscas on-line e favorecer o seu comparador de preços Google Shopping.

Com suas virtudes e defeitos, ninguém duvida que o Google, além de ser um negócio, facilita nossa vida, poupando-nos de apuros que antes enfrentávamos e nos permitindo economizar tempo, dinheiro e segurança em nossos deslocamentos. Então, vida longa ao gigante, embora, como sempre se recomenda com a tecnologia, melhor um uso moderado e responsável que um abuso que nos isole da realidade.

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

sexta-feira, 20 de abril de 2018

A geração das redes sociais e a banalização do cotidiano

Imagem reproduzida do site [feninjer.com.br] e postada 
pelo blog “Publicação Digital”, para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 20/04/2018

A geração das redes sociais e a banalização do cotidiano

Coloque um filtro e digite em até 140 caracteres

Por Caroline de Alencar Barbosa
Graduada em História na Universidade Federal de Sergipe (DHI/UFS)
Mestranda em Educação na Universidade Federal de Sergipe (PPGED/UFS)
Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS)
E-mail: caroline@getempo.org
Orientador: Prof. Dr. Dilton Cândido Santos Maynard“

Larga esse celular. No meu tempo, valorizávamos mais os momentos. Não tinha essa “coisa” de foto. No máximo um filme para a máquina fotográfica que a gente torcia para não queimar”. Depoimentos como esse podem ser encontrados na fala dos mais velhos o que demonstra uma crise de geração. A rápida evolução das tecnologias e a possibilidade de amplo acesso à internet trouxe para o cotidiano práticas novas e a banalização de momentos que antes eram considerados únicos: casamentos, formaturas, confraternizações, etc., agora ficam à mercê dos cliques e da ‘alimentação’ por segundo de redes sociais variadas. 

Identificamos uma nova geração dependente da aceitação dos seus pares não mais em um ambiente compartilhado, presencial e sensorial, mas através dos likes e visualizações. A rapidez nas informações e a capacidade de sintetizar tudo, TUDO mesmo, em 140 caracteres criou o desinteresse pelo debate. Observamos pessoas com alta capacidade de reter diversas informações em pouco tempo (o que não quer dizer que sejam de qualidade) com a ausência de um filtro.

Mas o que pensamos ao falar de filtro? Imediatamente muitos pensarão nos que estão disponíveis para edição de fotos, que as tornam impecáveis e na melhor das hipóteses criam a ideia de que sua vida é perfeita. Nesse caso, não estão sendo considerados esses filtros, mas os de criticidade frente às situações de vida. Todos os temas parecem ganhar uma repercussão instantânea: aparecem diversos ‘especialistas’ sobre o tema e discute-se isso por no máximo uma semana. E depois? Esquece. Assunto novo.

Tomando como exemplo as escolas, compreende-se como essa nova configuração cria uma ausência de formação nas relações de sentido, pois o aluno não atribui à instituição e ao professor a função que lhe cabe. Se questionado sobre algo recorre aos mecanismos de busca. Surgiram dúvidas sobre o tema? Pesquisa depois. Precisa entregar uma pesquisa escolar? Copia e cola. O sentimento de independência é deturpado e tudo parece ser de fácil resolução.

Nesse sentido, percebe-se a necessidade de rever o uso da web e de todos os seus componentes nas práticas cotidianas com a finalidade de tornar essas ferramentas digitais instrumentos de desenvolvimento do indivíduo. Não existe fórmula pronta, nem maneira correta de lidar com essa realidade, porém mudanças podem (e devem) ser feitas nas maneiras de utilização e principalmente na importância conferida a todo esse aparato tecnológico.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/getempo

domingo, 1 de abril de 2018

Geração Internet


Geração Internet 
Por Giseli Rodrigues

Não acredite naqueles que, com discurso pessimista, acreditam que isso não é bom e que o mundo foi melhor um dia. Até porque, não há como voltar atrás.

Desarme-se. Um novo mundo já começou.

Tudo começou com a tão famosa Geração Y. Muito ouvi e li sobre os impactos ocasionados por seus membros no mercado do trabalho e fiquei estimulada a estudar mais. Afinal de contas, além de especialista em Gestão de Pessoas, sou mãe de um adolescente. Tudo que diz respeito aos comportamentos das gerações e seus conflitos me interessam. Profundamente. No trabalho e em casa.

Li muitos livros bons sobre a Internet e os impactos que ela tem causado nas famílias, nas empresas, nas escolas. Embora tenha facebook, blog, twitter, possua um iphone e tenha um notebook, achava que jogos online são pura perda de tempo e que um livro é mais valioso que qualquer coisa que se faça na rede. Mudei meus conceitos. Os jovens estão construindo conhecimento em rede, mudando a sociedade, se organizando online. E não podemos ignorar isso. A internet é a nova revolução.

Tenho estudado muito sobre Inteligência Coletiva, Gestão do Conhecimento, Cultura de Participação, Gerações, Comunicação 2.0, Mídias Sociais, Inclusão Digital, Compartilhamento em rede. E tudo se conecta. Num mundo interligado todas as áreas de conhecimento são importantes, não existe área mais significativa que outra e todos têm a ensinar. Aliás, os fóruns online são um exemplo disso: qualquer um pode perguntar e responder. Qualquer um pode contribuir.

De todos os livros que li, no entanto, indico A hora da Geração Digital, de Don Tapscott, que parte de uma pesquisa realizada com cerca de dez mil jovens americanos sobre seus hábitos e padrões de consumo e relacionamento. A conclusão? A internet revolucionou as formas de pensar, interagir, trabalhar e se relacionar, dando origem a uma geração multifuncional.

Tudo que tenho aprendido sobre internet, mídias sociais, jogos online, produção de conhecimento em rede, inclusão digital e educação me faz acreditar que os jovens de hoje, serão sim, pessoas melhores amanhã. Ainda que pareçam mimados e indisciplinados aos nossos olhos hoje. Eles sabem o que querem. Compartilham informações. Criam em equipe. Sabem lidar com a diversidade. Exigem que discurso e prática estejam alinhados.

As novas tecnologias estão influenciando o mundo. Estão nos influenciando. Influenciando as pessoas com as quais convivemos. Influenciando as empresas. As escolas. As nossas famílias. As propagandas que assistimos. As publicações que lemos. Os produtos que compramos. Não acredite naqueles que, com discurso pessimista, acreditam que isso não é bom e que o mundo foi melhor um dia. Até porque, não há como voltar atrás.

Desarme-se. Um novo mundo já começou.

Texto publicado em 21 de março de 2012 no blog de Giseli Rodrigues.

Texto e imagem reproduzido do site: obviousmag.org

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Má distribuição de internet...

No mundo, um em cada três jovens de até 18 anos 
não tem acesso online, o que totaliza 346 milhões
de pessoas totalmente desconectadas.

Publicado originalmente no site Huffpost Brasil, em 11/12/2017.

Má distribuição de internet pode criar novos tipos de desigualdade, diz Unicef

Enquanto jovens da África são os menos conectados, com cerca de 3 em cada 5 crianças offline, apenas um em cada 25 jovens na Europa está na mesma situação.

Ana Beatriz Rosa  Repórter de Vozes, Mulheres e Notícias, HuffPost Brasil

Em novo relatório publicado no último domingo (10), a Unicef defende que as novas tecnologias são fator decisivo para incluir crianças marginalizadas da sociedade, seja por conta da cor da pele, do país de origem, da faixa salarial familiar ou do acesso à educação. No entanto, o acesso a principal delas, a internet, ainda é muito limitado e concentrado.

No mundo, um em cada três jovens de até 18 anos não tem acesso online, o que totaliza 346 milhões de pessoas totalmente desconectadas.

Enquanto isso, o relatório aponta que os jovens compõem o grupo etário mais conectado do planeta, com 71% do público com acesso à internet, contra apenas 48% da população total do mundo.

De acordo com a Unicef, as concentrações, principalmente regionais, atrapalham essa democratização do acesso à internet. Enquanto jovens da África são os menos conectados, com cerca de três em cada cinco crianças offline, apenas um em cada 25 jovens na Europa está na mesma situação.

O estudo Children in a Digital World (Crianças em um Mundo Digital) alerta para o fato de que essa má distribuição da tecnologia pode criar novos tipos de desigualdade e impedir que as crianças atinjam o seu potencial real.

Para a Unicef, os Estados precisam agir e acompanhar essas transformações rapidamente, caso não queiram deixar estas crianças ainda mais vulneráveis e mais suscetíveis à exploração, abuso e até mesmo o tráfico de pessoas.

As tecnologias de comunicação, assim como a urbanização e a globalização, transformaram o mundo. E isso trouxe impactos ao modo como a infância é vivida, argumenta o relatório.

Apesar de tornaram mais fácil compartilhar conhecimentos, essas ferramentas também facilitaram a produção, distribuição e consumo de materiais pornográficos. De acordo com a organização, mais de 90% dos sites de conteúdo pedófilo estão hospedados em países como Canadá, Estados Unidos, França, Holanda e Rússia. Ainda, as redes permitiram novos canais para o tráfico de crianças e novos meios de ocultar transações ilegais das autoridades policiais, explica o estudo.

"A internet foi concebida para adultos, mas é cada vez mais usada por crianças, adolescentes e jovens – e a tecnologia digital afeta cada vez mais a vida e o futuro deles. Sendo assim, as políticas, práticas e produtos digitais devem refletir melhor as necessidades, as perspectivas e as vozes das crianças e dos adolescentes", defende o diretor executivo da Unicef, Anthony Lake.

Em busca de combater estes problemas, a organização publicou uma série de estratégias e políticas em benefício dos jovens. A principal delas está em proteger a privacidade de crianças e adolescentes online.

Outra medida é educar e conscientizar a juventude para os tipos de conteúdo online.

Texto e imagem reproduzidos do site: huffpostbrasil.com

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

“O celular é o novo cigarro..."

Amber Case em Madri

Madri 5 de dezembro de 2017.

Amber Case: “O celular é o novo cigarro: se fico entediada, dou uma olhada nele. Está nos escravizando”

Socióloga norte-americana defende voltar ao básico, aos espaços de reflexão e a “tecnologia tranquila”

Por Belén Kayser 

Há sete anos alguém disse que a socióloga norte-americana Amber Case (Portland, 1987) vinha do futuro para nos contar em que poderíamos nos transformar se nos deixássemos seduzir, sem reservas, pela tecnologia. Foi depois de uma palestra TEDx que Case, também definida como ciberantropóloga, chamou a atenção para como os humanos estavam deixando coisas importantes demais nas mãos da tecnologia. A capacidade de memorizar, de recordar, de nos comunicarmos, de estabelecer empatia. Na época, o uso do WhatsApp não era tão generalizado, não existia Instagram e tampouco o conceito de branding aplicado aos indivíduos. Hoje, com tudo isso sobre a mesa, ela defende voltar ao básico, aos objetos que duram; buscar espaços de reflexão e a tecnologia tranquila. Só assim, ao nos lembrarmos de quem somos, poderemos voltar a nos conectar com nós mesmos. “A natureza é a melhor designer, temos de voltar a nos inspirar nela para viver”, disse em sua última visita a Madri para a apresentação da nova edição da revista Telos, da qual é capa.

Pergunta. O que estamos fazendo de errado?

Resposta. Quando me levanto pela manhã devo me perguntar se dedico tempo a mim mesma, se posso meditar, desenhar, se escrevo. Mas o fato é que o meu dia a dia está tomado pelas notificações do telefone, do computador. Então, que tempo de reflexão me reservo?

P. E como resolvemos isto?

R. Dando-nos espaços para pensar e vivendo experiências reais. Estamos conscientes da quantidade de alertas que nos cercam? Silencie o telefone, desative as notificações. Ponha o celular no modo avião e decida você mesmo quando quer interagir com ele. Recupere o despertador! Carregue um jornal com você, anote o que você faz, as pessoas com quem cruza, o que lhe chama a atenção. O cérebro sofre com a conexão constante. Faça uma experiência se você não acredita: depois de várias horas navegando, seria capaz de recordar o que viu e como se sentiu?

P. Entendo que a resposta é não…

R. Não, pois é, não fica nada na cabeça. E você se perguntará: mas como pode ser, o que eu estive fazendo durante três horas?

P. A tecnologia está fundindo o nosso cérebro?

R. A tecnologia não é ruim, mas seu uso está nos desconectando e escravizando. Chegamos a olhar o celular entre 1.000 a 2.000 vezes por dia. Temos que começar por redefinir nossa relação com a tecnologia: é uma ferramenta, muito útil, mas tem que nos tornar livres. O celular é o novo cigarro: se fico entediada, dou uma olhada nele. Não mande mensagens vazias de emoção, convide seus amigos para um jantar na sua casa.

P. Você observa alguma reação na sociedade diante dessa hipnose, ou vamos de mal a pior?

R. Sim. Há cada vez mais casos de gente que precisa escapar disto, que explodiu pela depressão, pela ansiedade. Muitos colegas da tecnologia foram morar em fazendas, muitos inclusive as compraram! As pessoas precisam ter a experiência de que estão vivendo algo real. E não é questão de romper com a tecnologia, e sim de usá-la desse jeito. Talvez possamos começar agora e nos poupar de ir parar numa fazenda.

P. Ou num retiro de ioga ou de meditação vipassana, que agora estão na moda...

R. Sim, quando fazemos algum retiro, aí é que nos damos conta de que temos tempo para pensar (e muitas vezes não gostamos do que vemos; nos angustia). Mas deveríamos poder fazer isso diariamente, não condicionar esses espaços a ter dinheiro e poder pagar um retiro de ioga. Vivemos constantemente em atenção parcial, nunca estamos presentes, portanto não temos tempo de reflexão.

P. Os horários de trabalho também não ajudam...

R. A revolução industrial nasceu com esse conceito de que, haja o que houver, você precisa trabalhar mais de 10 horas por dia, mas com os celulares, além disso, você sai e continua trabalhando. Daí a importância de desativar as notificações. Ou por acaso não merecemos ter liberdade? O que somos, robôs sem direitos humanos? Isto é uma loucura, e não deveria ser permitido. A França já limitou.

P. Mas então as empresas poderiam dizer que não somos produtivos, ou diretamente que nós não gostamos de trabalhar…

R. Nem o trabalho nem a eficiência melhoram a qualidade de vida. Ser eficiente deveria ser ter que trabalhar menos. E não só trabalhamos mais, como também não estamos presentes, perdemos a noção do tempo… Mau chefe o que considera que as horas trabalhadas tornam você mais ou menos produtivo. Venderam-nos que a tecnologia nos tornaria a vida mais fácil, mas atualmente trabalhamos muito mais e temos menos tempo de liberdade.

P. E esperamos as férias para ter essa liberdade...

R. O problema das férias, quando se trabalha dessa maneira, é que na desconexão a pessoa encara uma vida que não quer. Repensa sua existência inteira, promete que vai estruturá-la, mas volta para o trabalho e volta a não ter tempo. E o sistema nos exige ser criativos, inovadores, criar o futuro, mas as pessoas, sem espaços nem tempo, sofrem de ansiedade e depressão. É preciso parar, e não só nas férias. Antes conseguíamos, por exemplo, ler um livro, mas cada vez se lê e se retém menos, o cérebro se distrai.

P. A Internet ajuda a nos conectarmos com mais gente, a estarmos menos sozinhos...

R. A sensação de estar conectado é como uma miragem perigosa. Você se sente só, mas sente que faz parte de um coletivo, por isso não dedica tempo a você mesma. E quando finalmente você tem tempo para você... se sente péssima, porque lhe faltam experiências autênticas. Por estarmos conectados com outros o tempo todo, nos esquecemos de que nós também contamos e que merecemos tempo em silêncio, conectando com nós mesmos.

P. Mas as redes ajudam a romper a rotina, a ver outras paisagens, países, restaurantes...

R. Nas redes temos que nos adequar, contar a todo mundo como aparentamos ser felizes. Mas não é autêntico, ninguém se lembra de você quando não publica nas redes sociais. A Internet é como Hollywood: lá, sem filme de sucesso você não existe, e, no meu caso, se eu não publicar não interesso a ninguém. Sinto falta das redes do começo da Internet, com pequenas comunidades com gostos afins, onde você ainda podia ser muito mais autêntico sendo anônimo.

P. Por que você acredita que o anonimato na Internet nos torna mais autênticos? Não seria o contrário?

R. Todos carregamos o peso de precisar ser a personalidade que decidimos construir, e você não pode sair dali, precisa alimentar as suas redes. Não gosto da concentração da Internet que existe. Defendo uma rede mais distribuída, não monopolizada, com relações mais autênticas entre as comunidades. Onde se possa controlar melhor o abuso, porque uma empresa grande não se importa e não vai lhe proteger. E, sobretudo, onde não caibam as notícias falsas.

P. Esse negócio das notícias falsas parece incontrolável a esta altura...

R. Claro, porque os anunciantes se importam com as visitas, mas a coisa mudaria muito se eles levassem em conta a veracidade de uma informação antes de colocar o seu anúncio ali. Se realmente se importassem, não pagariam ao veículo que publica notícias falsas.

P. O que necessitamos para viver de um jeito mais autêntico?

R. Precisamos de mais humanidade nos serviços com relação ao público. E precisamos recuperar o valor das coisas, coisas que durem muito tempo e que sirvam para todos, não só para os jovens com alto poder aquisitivo, pois parece que agora só se fabrica para esse setor. A melhor tecnologia tem que ser a que dure mais e a de melhor qualidade, não a que muda rápido.

P. Ouvindo você falar parecesse que não leva em conta que o sistema foi feito para fabricar, usar e jogar fora...

R. Sim, mas o mercado precisa se repensar, porque os recursos naturais se esgotam. Se procurarmos a qualidade, os preços subirão, mas o que você comprar durará mais. As calm technologies estão dentro desse movimento de parar para viver melhor, mais devagar, de forma mais orgânica, mais natural…

P. A chave está em voltar a viver na natureza?

R. Se levássemos a natureza em conta, se a imitássemos, se nos inspirássemos nela, faríamos melhores criações e seríamos muito mais felizes. Ela é a melhor designer, sempre foi. Neste mundo industrial, estamos muito isolados, mas ainda podemos aprender muito com a tecnologia para melhorar nossa qualidade de vida.

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com/brasil

domingo, 26 de novembro de 2017

Ameaças da revolução digital ao desenvolvimento sustentável


Publicado originalmente no site Página 22, em 25 de julho de 2017.

Ameaças da revolução digital ao desenvolvimento sustentável
Por Ricardo Abramovay *

Além de estimular os excessos do consumo, o progresso tecnológico contemporâneo põe em risco a democracia, ao concentrar o controle da informação

A revolução digital é responsável por algumas das mais importantes e promissoras realizações rumo ao desenvolvimento sustentável. A energia solar deverá responder por quase um quarto da geração global de eletricidade em 2040, chegando a 29% do total em 2050, segundo importante relatório recente. O mesmo relatório prevê que os carros elétricos serão 35% do transporte rodoviário individual em 2035 e dois terços do total em 2050. Estes são apenas dois exemplos, mostrando a ciência e a tecnologia como condições necessárias para que se altere de forma radical a maneira como as sociedades contemporâneas usam a energia, os materiais e os recursos bióticos dos quais dependem. Mas, nem de longe, são condições suficientes.

O rumo do progresso tecnológico contemporâneo ameaça os valores básicos do desenvolvimento sustentável em ao menos dois sentidos. O que está em jogo é o cerne do crescimento digital dos últimos dez anos, expresso na inteligência artificial, na computação em nuvem, no aprendizado das máquinas e na utilização sistemática e gratuita, por parte dos gigantes digitais, da massa de dados que cada um de nós lhes oferece involuntariamente e que são a base de sua riqueza e de seu crescente poder.

É com base no rastreamento e na capacidade de analisar e mimetizar as informações transmitidas à rede por meio dos mais diferentes dispositivos digitais (mas, sobretudo, pelos smartphones) que se aperfeiçoam os sistemas de reconhecimento facial e de voz, as traduções e, sobretudo, o conhecimento minucioso e individualizado dos comportamentos, das opiniões, das reações e das aspirações das pessoas. E aqui reside a primeira ameaça ao desenvolvimento sustentável.

Ficou célebre a tirada de John Wanamaker (1838/1922), considerado o pioneiro do marketing contemporâneo: “Metade do dinheiro que eu gasto com publicidade é desperdiçada. O problema é que não sei qual metade”. Desde o surgimento dos smartphones em 2007, essa ignorância foi em boa medida superada e, cada vez mais, a publicidade vem deixando de ser genérica e converte-se em mensagens individualizadas e customizadas.

Mais que mudança na publicidade, a inteligência artificial está dando lugar à emergência do que o recém lançado livro de Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee chama de economia de plataforma e cujos exemplos mais notáveis são o Uber, o AirBnb, a chinesa Alibaba, o Waze e todas as que crescem não pelos ativos materiais de que dispõem, mas pela capacidade de utilizar a internet para reunir sob seu comando uma quantidade crescente de atividades econômicas e de serviços. As plataformas respondem a uma lógica segundo a qual o vencedor leva tudo: se na sua cidade houver seis serviços semelhantes ao Waze, dificilmente algum deles poderá funcionar.

A agilidade das plataformas e o conhecimento individualizado das demandas de consumo de cada um de nós resulta numa capacidade inédita de pressão para ampliar o consumo. Com isso, não só o valor das empresas-plataforma tende a aumentar (tanto mais quanto maior for sua difusão), mas, com ele, o próprio consumo.

A chinesa Alibaba, que não detém estoques, frotas de caminhão e outros ativos típicos dos atacadistas convencionais, atende 300 milhões de pessoas por mês e vale hoje mais que a Walmart. Na celebração chinesa do Dia dos Solteiros (11 de novembro de 2016) a Alibaba vendeu quase US$ 18 bilhões, três vezes o total combinado do Black Friday e do Cyber Monday nos Estados Unidos.

A segunda ameaça aos valores básicos do desenvolvimento sustentável representada pelos rumos da revolução digital nos últimos dez anos, é fundamentalmente política. A pergunta que dá título a um artigo recente de John Elkington não poderia ser mais pertinente: “Google poderia tornar-se Deus”? Não se trata apenas de seu impressionante poder econômico e dos impactos deste poder sobre a concorrência. O mais importante é o conhecimento e, a partir daí, o controle sobre a própria vida dos indivíduos a que as tecnologias digitais contemporâneas estão dando lugar.

Mas será razoável, e compatível com a própria democracia, que uma empresa privada detenha de forma tão concentrada o controle e a capacidade de manuseio dessas informações? Responder a esta pergunta exige que se discuta a proposta do especialista Evgeny Morozov: “Todos os dados de um país deveriam estar em um fundo de dados, do qual todos os cidadãos seriam proprietários… Quem quiser construir novos serviços a partir daí terá que fazê-lo em um ambiente competitivo, altamente regulamento e pagando uma parcela de seus lucros por usá-los”.

Pode parecer tímido, mas seria o início de uma transição significativa para democratizar a sociedade da informação em rede e, portanto, para o desenvolvimento sustentável.

* Ricardo Abramovay é professor sênior do Programa de Ciência Ambiental (Procam) do Instituto de Energia e Ambiente da USP – www.ricardoabramovay.com @abramovay

Texto e imagem reproduzidos do site: pagina22.com.br

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Unit, Google e SEED de olho no futuro

Educadores testam o chromebook.

 Questionamentos e opiniões são apontados por professores.

Alexandre Campos, executivo do Google for Education.

O professor Uchôa espera contribuir com 
a melhoria do ensino ofertando tecnologia de ponta.

O Secretário da Educação professor 
Jorge Carvalho reconhece a importância do convênio

O Superintendente Geral, Professor
 Jouberto Uchôa de Mendonça Júnior, fala da parceria.

Professor Domingos Sávio apresenta a aula do futuro.

Publicado originalmente no site da UNIT, em 10/08/2017.

Unit, Google e SEED de olho no futuro

Instituições discutem projeto de utilização das tecnologias da empresa norte-americana nas escolas públicas e particulares de Sergipe
A Universidade Tiradentes, o Google e a Secretaria de Estado da Educação de Sergipe discutem um projeto para disseminar tecnologias da empresa norte-americana nas escolas públicas e particulares do Estado. O anúncio da parceria foi feito na manhã desta quinta-feira, 10, no ciclo de palestras “Inovação na Escola”. O evento aconteceu no Campus Aracaju Farolândia da Unit e reuniu mais de 200 professores e gestores educacionais.

A iniciativa de aproximar as escolas da mais alta tecnologia educacional utilizada nos países mais avançados é da Universidade Tiradentes. “A Universidade Tiradentes entendeu a importância de trazer essas ferramentas para a sala de aula exatamente para criar um ambiente que estimule a presença do aluno, que ele tenha interesse em vir para a sala de aula. E não falo só do aluno do ensino superior, por isso, nos comprometemos também a capacitar os professores das escolas públicas e particulares”, salienta o superintendente geral do Grupo Tiradentes, professor Jouberto Uchôa de Mendonça Júnior.

A Universidade Tiradentes é referência nacional na utilização do pacote de ferramentas do Google For Education. A parceria já dura um ano. “Estamos muito orgulhosos dessa parceria com a Unit que se utiliza do melhor em tecnologia que existe no mundo, aplicada em sala de aula, para os seus alunos aqui no Nordeste”, reconhece o executivo do Google for Education, Alexandre Campos Silva.

Além de ter acesso às salas interativas e outras ferramentas do Google For Education, os professores e gestores das escolas puderam experimentar o Chromebook, o caderno do futuro. O equipamento permite salvar arquivos em nuvem e já é utilizado por estudantes da Unit, inclusive na realização de provas.

“Espero que com esse trabalho realizado pela a Universidade Tiradentes em parceria com o Google e a Secretaria da Educação possamos contribuir para o crescimento qualitativo das escolas do Estado”, pondera o professor Uchôa.

Texto, vídeo e imagens reproduzidos do site: portal.unit.br