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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Diga adeus à era da informação...


Publicado originalmente no site Awebic, em 26.09.2018 

Diga adeus à era da informação: agora é tudo uma questão de reputação

Por Awebic

Existe um paradoxo subvalorizado de conhecimento que desempenha um papel central em nossas democracias liberais hiperconectadas avançadas:

Quanto maior a quantidade de informação que circula, mais confiamos nos chamados dispositivos de reputação para avaliá-la.

O que torna isso paradoxal é que o acesso ampliado à informação e ao conhecimento que temos hoje não nos capacita nem nos torna mais cognitivamente autônomos.

Pelo contrário, isso nos torna mais dependentes dos julgamentos e avaliações de outras pessoas das informações com as quais nos deparamos.

Estamos passando por uma mudança fundamental de paradigma em nossa relação com o conhecimento.

A partir da “era da informação”, estamos caminhando para a “era da reputação”, na qual a informação terá valor apenas se já estiver filtrada, avaliada e comentada por outras pessoas.

Visto sob esta luz, a reputação tornou-se um pilar central da inteligência coletiva hoje. É a guardiã do conhecimento, e as chaves do portão são mantidas por outros.

A maneira pela qual a autoridade do conhecimento é agora construída nos torna dependentes de quais são os julgamentos inevitavelmente tendenciosos de outras pessoas, a maioria das quais não conhecemos.

Fim da era da informação

Deixe-me dar alguns exemplos desse paradoxo.

Se você for perguntado por que acredita que grandes mudanças no clima estão ocorrendo e pode prejudicar dramaticamente a vida futura na Terra, a resposta mais razoável que pode fornecer é que confia na reputação das fontes de informação às quais você normalmente adquire informações sobre o estado do planeta.

Na melhor das hipóteses, você confia na reputação da pesquisa científica e acredita que a revisão por pares é uma maneira razoável de filtrar “verdades” de hipóteses falsas e “besteiras” sobre a natureza.

No cenário de caso comum, você confia em jornais, revistas ou canais de TV que endossam uma visão política que apoia a pesquisa científica para resumir suas descobertas para você.

Neste último caso, você é removido duas vezes das fontes: você confia na confiança de outras pessoas na ciência respeitável.

Ou, adote uma verdade ainda mais controversa que discuti longamente em outro lugar: uma das mais notórias teorias da conspiração é que nenhum homem pisou na Lua em 1969, e que todo o programa Apollo (incluindo seis aterrissagens na Lua entre 1969 e 1972) foi uma encenação.

O iniciador dessa teoria da conspiração foi Bill Kaysing, que trabalhou em publicações da empresa Rocketdyne — onde os motores de foguete Saturn V da Apollo foram construídos.

Por conta própria, Kaysing publicou o livro “We Never Went to the Moon: America’s $30 Billion Swindle” (1976). Após a publicação, um movimento de céticos cresceu e começou a coletar evidências sobre o suposto embuste.

Segundo a Sociedade da Terra Plana, um dos grupos que ainda nega os fatos, os pousos na Lua foram encenados por Hollywood com o apoio de Walt Disney e sob a direção artística de Stanley Kubrick.

A maioria das “provas” que eles avançam baseiam-se em uma análise aparentemente acurada das imagens dos vários pousos.

Os ângulos das sombras são inconsistentes com a luz, a bandeira dos Estados Unidos sopra mesmo que não haja vento na Lua, os trilhos dos passos são muito precisos e bem preservados para um solo em que não há umidade.

Além disso, não é suspeito que um programa que envolveu mais de 400.000 pessoas durante seis anos tenha sido encerrado abruptamente? E assim por diante.

A grande maioria das pessoas que consideraríamos razoáveis ​​e responsáveis ​​(inclusive eu) rejeitará essas afirmações, rindo do próprio absurdo da hipótese (embora tenha havido respostas sérias e documentadas da NASA contra essas alegações).

No entanto, se eu me perguntar em que base probatória acredito que houve um pouso na Lua, devo admitir que minha evidência é muito pobre, e que nunca investi um segundo tentando desmascarar a evidência acumulada por esses teóricos da conspiração.

O que eu pessoalmente conheço sobre os fatos mistura lembranças confusas de infância, notícias de televisão em preto e branco e deferência ao que meus pais me contaram sobre o pouso nos anos subsequentes.

Ainda assim, a qualidade total e indireta não confirmada dessa evidência não me faz hesitar quanto à verdade de minhas crenças sobre o assunto.

Minhas razões para acreditar que o pouso na Lua ocorreu vão muito além das evidências que posso reunir e checar do evento em si. Naqueles anos, confiamos que uma democracia como os EUA tivesse uma reputação justificada de sinceridade.

Sem um julgamento avaliativo sobre a confiabilidade de uma determinada fonte de informação, essa informação é, para todos os fins práticos, inútil.

Fim da era da informação

A mudança de paradigma da era da informação para a era da reputação deve ser levada em conta quando tentamos nos defender de “fake news” e outras técnicas de desinformação que estão proliferando nas sociedades contemporâneas.

O que um cidadão maduro da era digital deve ser competente não está detectando e confirmando a veracidade das notícias.

Em vez disso, ela deve ser competente para reconstruir o caminho da reputação da informação em questão, avaliar as intenções daqueles que a circularam e descobrir as agendas dessas autoridades que lhe dão credibilidade.

Sempre que estamos a ponto de aceitar ou rejeitar novas informações, devemos nos perguntar: De onde isso vem? A fonte tem uma boa reputação? Quem são as autoridades que acreditam nisso? Quais são as minhas razões para deferir a essas autoridades?

Tais perguntas nos ajudarão a entender melhor a realidade do que tentar verificar diretamente a confiabilidade das informações em questão.

Em um sistema hiperespecializado em produção de conhecimento, não faz sentido tentar investigar por conta própria, por exemplo, a possível correlação entre vacinas e autismo.

Seria uma perda de tempo e, provavelmente, nossas conclusões não seriam precisas.

Na era da reputação, nossas avaliações críticas devem ser dirigidas não ao conteúdo da informação, mas sim à rede social de relações que moldaram esse conteúdo e lhe deram um certo “grau” merecido ou imerecido em nosso sistema de conhecimento.

Essas novas competências constituem uma espécie de epistemologia de segunda ordem.

Elas nos preparam para questionar e avaliar a reputação de uma fonte de informação, algo que filósofos e professores deveriam estar elaborando para as gerações futuras.

De acordo com o livro de Frederick Hayek, “Law, Legislation and Liberty” (1973):

“A civilização repousa sobre o fato de que todos nós nos beneficiamos do conhecimento que não possuímos”.

Um mundo cibernético civilizado será aquele em que as pessoas saibam avaliar criticamente a reputação das fontes de informação e possam capacitar seus conhecimentos aprendendo como avaliar adequadamente o “ranking” social de cada bit de informação que entra em seu campo cognitivo.

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Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Aeon, escrito por Gloria Origgi.

Texto e imagem reproduzidos do site: awebic.com

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Google, o gigante tecnológico, comemora seu 20º aniversário

20º aniversário do Google

Publicado originalmente no site Brasil El País, 27 SET 2018

Google, o gigante tecnológico, comemora seu 20º aniversário

O buscador mais utilizado, que pertence à terceira empresa mais importante do mundo, faz 3,5 bilhões de buscas por dia, à média de 0,19 segundo cada uma

Por Alberto López 

 “Vinte anos não são nada”, cantava Carlos Gardel em seu tango Volver. Mas, em termos de tecnologia, 20 anos são um período suficientemente longo para que não recordemos com exatidão como podíamos viver sem ela… O Google mudou nossas vidas, a ponto de conhecer nossos hábitos e gostos de consumo, nos sugerir atividades de lazer e nos facilitar a vida, embora para isso tenhamos nos tornado dependentes da maldita (ou bendita) tecnologia.

Há duas décadas, bibliotecas e hemerotecas eram as fontes mais confiáveis da informação, e as enciclopédias, as melhores aliadas do conhecimento. Entretanto, de um tempo para cá, o acesso à Internet substituiu esse esforço de aprender e conhecer pela comodidade de um clique. O acesso ao conhecimento mundial em tempo real nos abriu ao mundo quase ao mesmo tempo em que foi limitando nossa capacidade de esforço, atenção e até surpresa. Os tradicionais boatos e rumores foram substituídos pelas fake news (notícias falsas), e algo parece confiável se vimos na Internet.

O buscador mais famoso e utilizado do mundo celebra 20 anos de existência nesta quinta-feira, 27 de setembro. Até seus criadores, que hoje chamaríamos de freaks, desconheciam o alcance de sua paixão pela tecnologia e da sua ideia revolucionária que criaria um gigante. Para comemorar esta data, o Google fez um doodle em forma de vídeo que sintetiza sua essência: qualquer coisa que procurar, e em qualquer idioma, você encontrará, já que o buscador de sites mais famoso do mundo tem uma oferta de mais de 150 idiomas e está presente em 190 países.

O 27 de setembro ficou como data oficial da criação do Google, mas na verdade nem seus fundadores sabem ao certo o dia exato em que ele veio à luz. A única certeza, pela quantidade de efemérides que a multinacional tem para celebrar neste mês, é que setembro é o mês da companhia norte-americana.

Seu início remonta a dois jovens universitários, Larry Page e Sergey Brin, que ficaram amigos compartilhando um sonho empresarial em 1995, quando estudavam informática e programação na Universidade de Stanford. Um ano depois começaram a colaborar num buscador chamado BackRub, que funcionou nos servidores da universidade até que finalmente ocupava muita largura de banda e foi desativado.

Naqueles anos do final do século passado, havia outros buscadores, como o AltaVista, que permitiam acessar milhões de sites indexados em seus servidores. Melhorá-los com o uso de palavras-chaves era o objetivo de Page e Brin. Até mesmo na história do nascimento do Google se conta que seus criadores foram visitar os donos do AltaVista, que rejeitaram a ideia deles. Atualmente, aqueles estudantes estão à frente de um gigante, enquanto que aquele poderoso buscador de antigamente fechou há alguns anos.

Em 1997, Larry e Sergey decidiram mudar o nome do BackRub e apostaram em Google, um jogo com a palavra googol, termo matemático que descreve o número 1 seguido de 100 zeros.

Vendo um bom negócio naquela ideia de buscador, Andy Bechtolsheim, um empresário de capitais de risco, apostou neles em agosto de 1998 e lhes ofereceu um cheque de 100.000 dólares, quando, na verdade, nem Larry nem Sergey viam utilidade no Google inicialmente, e a empresa nem existia ainda. O milionário também lhes perguntou como pensavam em fazer publicidade, e eles responderam que não a fariam, que o boca-a-boca seria mais do que suficiente.

Aquele investimento permitiu que Page e Brin deixassem os alojamentos universitários como local de trabalho e se mudassem para uma garagem em Menlo Park. Também naquele mês, Larry e Sergey contrataram Craig Silverstein como seu primeiro funcionário.

A firma Google Inc. foi registrada em 4 de setembro de 1998, mas essa data caiu no esquecimento, embora, para as repartições públicas, seja o verdadeiro dia da fundação. Também caiu no esquecimento o 8 de setembro, oficiosamente a data da criação até 2005, e o 27, ou seja, hoje, a data em que o famoso buscador estreou. Na verdade, Ryan Germick, o homem que criou os famosos doodles, (o primeiro, aliás, antes ainda do nascimento do Google, em 30 de agosto), admitiu em 2013: “Quando é o aniversário do Google? Tenho a impressão de que a gente não sabe”.

A partir do final de setembro de 1998, o Google.com, ainda em fase beta, tinha cerca de 10.000 buscas diárias, e a imprensa começava a falar do novo buscador e do seu excelente funcionamento. Um ano depois, conseguiram 25 milhões de dólares de dois importantes investidores, e os modestos escritórios ficaram pequenos, então se transferiram para o Googleplex, a atual sede central do Google em Mountain View, Califórnia. Desde 2004 negocia ações na Bolsa, onde se tornou a terceira multinacional mais importante, atrás da Apple e da Amazon.

O que começou sendo um projeto universitário em apenas um ano virou uma grande empresa com um crescimento exponencial. Afinal, a companhia em que todo mundo gostaria de trabalhar – pelas imagens compartilhadas das suas instalações e rotinas de trabalho e lazer – adotou em 2002, no seu quarto aniversário, o 27 de setembro como data oficial de fundação, mas na verdade passa o mês inteiro comemorando.

O Google nunca deixou de inovar e se adaptar aos tempos e às circunstâncias, então, salvo raros fracassos – que também houve, como Google+, Google Glass, Buzz, Wave, Google Vídeo Player e Picasa –, tudo o que empreendeu virou ouro: mapas (Maps), e-mails (Gmail), navegador (Chrome), sistema operacional (Android), além da compra de outras bem-sucedidas empresas como o YouTube.

No final de 2015, o Google sofreu uma reestruturação e criou uma empresa controladora, chamada Alphabet, que passou a fiscalizar tanto o gigante como suas filiais de saúde (Verily), inteligência artificial (Deep Mind) e veículos autônomos (Waymo). Além disso, o Google também fabrica há alguns anos aparelhos como o smartphones Pixel e os alto-falantes inteligentes Home, e no ano passado apresentou aparelhos auditivos que traduzem idiomas em tempo real utilizando seu serviço de conversão de idiomas.

Atualmente, a marca Google vale mais de 141 bilhões de dólares (568,6 bilhões de reais), e seus serviços vão muito além de um simples buscador da internet: mapas, plataformas de conteúdo audiovisual, análise de dados, armazenamento de livros, publicidade… e até um assistente inteligente.

Algumas das curiosidades do Google: concentra 91% das buscas na Internet em nível mundial, tem 80.000 funcionários, e até o Oxford English Dictionary incluiu em 2006 a palavra google como um verbo, embora googlar ainda não conste em nenhum dicionário brasileiro. Além disso, seis de seus produtos superaram um bilhão de usuários (o buscador, o YouTube, o Gmail, o Maps e a Play Store), e diariamente ele traduz mais de 150 bilhões de palavras em mais de 150 idiomas e nos cinco continentes.

Graças ao Google e a plataformas como Blogger e YouTube, hoje em dia também aceitamos termos como blogueiros e youtubers, atividades que antes não existiam e com a qual não pouca gente ganha a vida, e muito bem.

Mas nem tudo é maravilhoso num gigante implantado em nível mundial. Sua posição dominante como buscador, em publicidade e nos sistemas operacionais móveis lhe valeu críticas, denúncias e multas. Recentemente, a Comissão Europeia impôs ao Google uma multa histórica de quase cinco bilhões de euros (23,6 bilhões de reais) ao considerar que a multinacional violava o direito à livre concorrência por pré-instalar seus aplicativos nos aparelhos celulares com sistema operacional Android. Antes, em 2017, foi imposta outra multa, de 2,5 bilhões de euros, por abusar da sua posição dominante nas buscas on-line e favorecer o seu comparador de preços Google Shopping.

Com suas virtudes e defeitos, ninguém duvida que o Google, além de ser um negócio, facilita nossa vida, poupando-nos de apuros que antes enfrentávamos e nos permitindo economizar tempo, dinheiro e segurança em nossos deslocamentos. Então, vida longa ao gigante, embora, como sempre se recomenda com a tecnologia, melhor um uso moderado e responsável que um abuso que nos isole da realidade.

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

sexta-feira, 20 de abril de 2018

A geração das redes sociais e a banalização do cotidiano

Imagem reproduzida do site [feninjer.com.br] e postada 
pelo blog “Publicação Digital”, para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 20/04/2018

A geração das redes sociais e a banalização do cotidiano

Coloque um filtro e digite em até 140 caracteres

Por Caroline de Alencar Barbosa
Graduada em História na Universidade Federal de Sergipe (DHI/UFS)
Mestranda em Educação na Universidade Federal de Sergipe (PPGED/UFS)
Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS)
E-mail: caroline@getempo.org
Orientador: Prof. Dr. Dilton Cândido Santos Maynard“

Larga esse celular. No meu tempo, valorizávamos mais os momentos. Não tinha essa “coisa” de foto. No máximo um filme para a máquina fotográfica que a gente torcia para não queimar”. Depoimentos como esse podem ser encontrados na fala dos mais velhos o que demonstra uma crise de geração. A rápida evolução das tecnologias e a possibilidade de amplo acesso à internet trouxe para o cotidiano práticas novas e a banalização de momentos que antes eram considerados únicos: casamentos, formaturas, confraternizações, etc., agora ficam à mercê dos cliques e da ‘alimentação’ por segundo de redes sociais variadas. 

Identificamos uma nova geração dependente da aceitação dos seus pares não mais em um ambiente compartilhado, presencial e sensorial, mas através dos likes e visualizações. A rapidez nas informações e a capacidade de sintetizar tudo, TUDO mesmo, em 140 caracteres criou o desinteresse pelo debate. Observamos pessoas com alta capacidade de reter diversas informações em pouco tempo (o que não quer dizer que sejam de qualidade) com a ausência de um filtro.

Mas o que pensamos ao falar de filtro? Imediatamente muitos pensarão nos que estão disponíveis para edição de fotos, que as tornam impecáveis e na melhor das hipóteses criam a ideia de que sua vida é perfeita. Nesse caso, não estão sendo considerados esses filtros, mas os de criticidade frente às situações de vida. Todos os temas parecem ganhar uma repercussão instantânea: aparecem diversos ‘especialistas’ sobre o tema e discute-se isso por no máximo uma semana. E depois? Esquece. Assunto novo.

Tomando como exemplo as escolas, compreende-se como essa nova configuração cria uma ausência de formação nas relações de sentido, pois o aluno não atribui à instituição e ao professor a função que lhe cabe. Se questionado sobre algo recorre aos mecanismos de busca. Surgiram dúvidas sobre o tema? Pesquisa depois. Precisa entregar uma pesquisa escolar? Copia e cola. O sentimento de independência é deturpado e tudo parece ser de fácil resolução.

Nesse sentido, percebe-se a necessidade de rever o uso da web e de todos os seus componentes nas práticas cotidianas com a finalidade de tornar essas ferramentas digitais instrumentos de desenvolvimento do indivíduo. Não existe fórmula pronta, nem maneira correta de lidar com essa realidade, porém mudanças podem (e devem) ser feitas nas maneiras de utilização e principalmente na importância conferida a todo esse aparato tecnológico.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/getempo

domingo, 1 de abril de 2018

Geração Internet


Geração Internet 
Por Giseli Rodrigues

Não acredite naqueles que, com discurso pessimista, acreditam que isso não é bom e que o mundo foi melhor um dia. Até porque, não há como voltar atrás.

Desarme-se. Um novo mundo já começou.

Tudo começou com a tão famosa Geração Y. Muito ouvi e li sobre os impactos ocasionados por seus membros no mercado do trabalho e fiquei estimulada a estudar mais. Afinal de contas, além de especialista em Gestão de Pessoas, sou mãe de um adolescente. Tudo que diz respeito aos comportamentos das gerações e seus conflitos me interessam. Profundamente. No trabalho e em casa.

Li muitos livros bons sobre a Internet e os impactos que ela tem causado nas famílias, nas empresas, nas escolas. Embora tenha facebook, blog, twitter, possua um iphone e tenha um notebook, achava que jogos online são pura perda de tempo e que um livro é mais valioso que qualquer coisa que se faça na rede. Mudei meus conceitos. Os jovens estão construindo conhecimento em rede, mudando a sociedade, se organizando online. E não podemos ignorar isso. A internet é a nova revolução.

Tenho estudado muito sobre Inteligência Coletiva, Gestão do Conhecimento, Cultura de Participação, Gerações, Comunicação 2.0, Mídias Sociais, Inclusão Digital, Compartilhamento em rede. E tudo se conecta. Num mundo interligado todas as áreas de conhecimento são importantes, não existe área mais significativa que outra e todos têm a ensinar. Aliás, os fóruns online são um exemplo disso: qualquer um pode perguntar e responder. Qualquer um pode contribuir.

De todos os livros que li, no entanto, indico A hora da Geração Digital, de Don Tapscott, que parte de uma pesquisa realizada com cerca de dez mil jovens americanos sobre seus hábitos e padrões de consumo e relacionamento. A conclusão? A internet revolucionou as formas de pensar, interagir, trabalhar e se relacionar, dando origem a uma geração multifuncional.

Tudo que tenho aprendido sobre internet, mídias sociais, jogos online, produção de conhecimento em rede, inclusão digital e educação me faz acreditar que os jovens de hoje, serão sim, pessoas melhores amanhã. Ainda que pareçam mimados e indisciplinados aos nossos olhos hoje. Eles sabem o que querem. Compartilham informações. Criam em equipe. Sabem lidar com a diversidade. Exigem que discurso e prática estejam alinhados.

As novas tecnologias estão influenciando o mundo. Estão nos influenciando. Influenciando as pessoas com as quais convivemos. Influenciando as empresas. As escolas. As nossas famílias. As propagandas que assistimos. As publicações que lemos. Os produtos que compramos. Não acredite naqueles que, com discurso pessimista, acreditam que isso não é bom e que o mundo foi melhor um dia. Até porque, não há como voltar atrás.

Desarme-se. Um novo mundo já começou.

Texto publicado em 21 de março de 2012 no blog de Giseli Rodrigues.

Texto e imagem reproduzido do site: obviousmag.org

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Má distribuição de internet...

No mundo, um em cada três jovens de até 18 anos 
não tem acesso online, o que totaliza 346 milhões
de pessoas totalmente desconectadas.

Publicado originalmente no site Huffpost Brasil, em 11/12/2017.

Má distribuição de internet pode criar novos tipos de desigualdade, diz Unicef

Enquanto jovens da África são os menos conectados, com cerca de 3 em cada 5 crianças offline, apenas um em cada 25 jovens na Europa está na mesma situação.

Ana Beatriz Rosa  Repórter de Vozes, Mulheres e Notícias, HuffPost Brasil

Em novo relatório publicado no último domingo (10), a Unicef defende que as novas tecnologias são fator decisivo para incluir crianças marginalizadas da sociedade, seja por conta da cor da pele, do país de origem, da faixa salarial familiar ou do acesso à educação. No entanto, o acesso a principal delas, a internet, ainda é muito limitado e concentrado.

No mundo, um em cada três jovens de até 18 anos não tem acesso online, o que totaliza 346 milhões de pessoas totalmente desconectadas.

Enquanto isso, o relatório aponta que os jovens compõem o grupo etário mais conectado do planeta, com 71% do público com acesso à internet, contra apenas 48% da população total do mundo.

De acordo com a Unicef, as concentrações, principalmente regionais, atrapalham essa democratização do acesso à internet. Enquanto jovens da África são os menos conectados, com cerca de três em cada cinco crianças offline, apenas um em cada 25 jovens na Europa está na mesma situação.

O estudo Children in a Digital World (Crianças em um Mundo Digital) alerta para o fato de que essa má distribuição da tecnologia pode criar novos tipos de desigualdade e impedir que as crianças atinjam o seu potencial real.

Para a Unicef, os Estados precisam agir e acompanhar essas transformações rapidamente, caso não queiram deixar estas crianças ainda mais vulneráveis e mais suscetíveis à exploração, abuso e até mesmo o tráfico de pessoas.

As tecnologias de comunicação, assim como a urbanização e a globalização, transformaram o mundo. E isso trouxe impactos ao modo como a infância é vivida, argumenta o relatório.

Apesar de tornaram mais fácil compartilhar conhecimentos, essas ferramentas também facilitaram a produção, distribuição e consumo de materiais pornográficos. De acordo com a organização, mais de 90% dos sites de conteúdo pedófilo estão hospedados em países como Canadá, Estados Unidos, França, Holanda e Rússia. Ainda, as redes permitiram novos canais para o tráfico de crianças e novos meios de ocultar transações ilegais das autoridades policiais, explica o estudo.

"A internet foi concebida para adultos, mas é cada vez mais usada por crianças, adolescentes e jovens – e a tecnologia digital afeta cada vez mais a vida e o futuro deles. Sendo assim, as políticas, práticas e produtos digitais devem refletir melhor as necessidades, as perspectivas e as vozes das crianças e dos adolescentes", defende o diretor executivo da Unicef, Anthony Lake.

Em busca de combater estes problemas, a organização publicou uma série de estratégias e políticas em benefício dos jovens. A principal delas está em proteger a privacidade de crianças e adolescentes online.

Outra medida é educar e conscientizar a juventude para os tipos de conteúdo online.

Texto e imagem reproduzidos do site: huffpostbrasil.com

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

“O celular é o novo cigarro..."

Amber Case em Madri

Madri 5 de dezembro de 2017.

Amber Case: “O celular é o novo cigarro: se fico entediada, dou uma olhada nele. Está nos escravizando”

Socióloga norte-americana defende voltar ao básico, aos espaços de reflexão e a “tecnologia tranquila”

Por Belén Kayser 

Há sete anos alguém disse que a socióloga norte-americana Amber Case (Portland, 1987) vinha do futuro para nos contar em que poderíamos nos transformar se nos deixássemos seduzir, sem reservas, pela tecnologia. Foi depois de uma palestra TEDx que Case, também definida como ciberantropóloga, chamou a atenção para como os humanos estavam deixando coisas importantes demais nas mãos da tecnologia. A capacidade de memorizar, de recordar, de nos comunicarmos, de estabelecer empatia. Na época, o uso do WhatsApp não era tão generalizado, não existia Instagram e tampouco o conceito de branding aplicado aos indivíduos. Hoje, com tudo isso sobre a mesa, ela defende voltar ao básico, aos objetos que duram; buscar espaços de reflexão e a tecnologia tranquila. Só assim, ao nos lembrarmos de quem somos, poderemos voltar a nos conectar com nós mesmos. “A natureza é a melhor designer, temos de voltar a nos inspirar nela para viver”, disse em sua última visita a Madri para a apresentação da nova edição da revista Telos, da qual é capa.

Pergunta. O que estamos fazendo de errado?

Resposta. Quando me levanto pela manhã devo me perguntar se dedico tempo a mim mesma, se posso meditar, desenhar, se escrevo. Mas o fato é que o meu dia a dia está tomado pelas notificações do telefone, do computador. Então, que tempo de reflexão me reservo?

P. E como resolvemos isto?

R. Dando-nos espaços para pensar e vivendo experiências reais. Estamos conscientes da quantidade de alertas que nos cercam? Silencie o telefone, desative as notificações. Ponha o celular no modo avião e decida você mesmo quando quer interagir com ele. Recupere o despertador! Carregue um jornal com você, anote o que você faz, as pessoas com quem cruza, o que lhe chama a atenção. O cérebro sofre com a conexão constante. Faça uma experiência se você não acredita: depois de várias horas navegando, seria capaz de recordar o que viu e como se sentiu?

P. Entendo que a resposta é não…

R. Não, pois é, não fica nada na cabeça. E você se perguntará: mas como pode ser, o que eu estive fazendo durante três horas?

P. A tecnologia está fundindo o nosso cérebro?

R. A tecnologia não é ruim, mas seu uso está nos desconectando e escravizando. Chegamos a olhar o celular entre 1.000 a 2.000 vezes por dia. Temos que começar por redefinir nossa relação com a tecnologia: é uma ferramenta, muito útil, mas tem que nos tornar livres. O celular é o novo cigarro: se fico entediada, dou uma olhada nele. Não mande mensagens vazias de emoção, convide seus amigos para um jantar na sua casa.

P. Você observa alguma reação na sociedade diante dessa hipnose, ou vamos de mal a pior?

R. Sim. Há cada vez mais casos de gente que precisa escapar disto, que explodiu pela depressão, pela ansiedade. Muitos colegas da tecnologia foram morar em fazendas, muitos inclusive as compraram! As pessoas precisam ter a experiência de que estão vivendo algo real. E não é questão de romper com a tecnologia, e sim de usá-la desse jeito. Talvez possamos começar agora e nos poupar de ir parar numa fazenda.

P. Ou num retiro de ioga ou de meditação vipassana, que agora estão na moda...

R. Sim, quando fazemos algum retiro, aí é que nos damos conta de que temos tempo para pensar (e muitas vezes não gostamos do que vemos; nos angustia). Mas deveríamos poder fazer isso diariamente, não condicionar esses espaços a ter dinheiro e poder pagar um retiro de ioga. Vivemos constantemente em atenção parcial, nunca estamos presentes, portanto não temos tempo de reflexão.

P. Os horários de trabalho também não ajudam...

R. A revolução industrial nasceu com esse conceito de que, haja o que houver, você precisa trabalhar mais de 10 horas por dia, mas com os celulares, além disso, você sai e continua trabalhando. Daí a importância de desativar as notificações. Ou por acaso não merecemos ter liberdade? O que somos, robôs sem direitos humanos? Isto é uma loucura, e não deveria ser permitido. A França já limitou.

P. Mas então as empresas poderiam dizer que não somos produtivos, ou diretamente que nós não gostamos de trabalhar…

R. Nem o trabalho nem a eficiência melhoram a qualidade de vida. Ser eficiente deveria ser ter que trabalhar menos. E não só trabalhamos mais, como também não estamos presentes, perdemos a noção do tempo… Mau chefe o que considera que as horas trabalhadas tornam você mais ou menos produtivo. Venderam-nos que a tecnologia nos tornaria a vida mais fácil, mas atualmente trabalhamos muito mais e temos menos tempo de liberdade.

P. E esperamos as férias para ter essa liberdade...

R. O problema das férias, quando se trabalha dessa maneira, é que na desconexão a pessoa encara uma vida que não quer. Repensa sua existência inteira, promete que vai estruturá-la, mas volta para o trabalho e volta a não ter tempo. E o sistema nos exige ser criativos, inovadores, criar o futuro, mas as pessoas, sem espaços nem tempo, sofrem de ansiedade e depressão. É preciso parar, e não só nas férias. Antes conseguíamos, por exemplo, ler um livro, mas cada vez se lê e se retém menos, o cérebro se distrai.

P. A Internet ajuda a nos conectarmos com mais gente, a estarmos menos sozinhos...

R. A sensação de estar conectado é como uma miragem perigosa. Você se sente só, mas sente que faz parte de um coletivo, por isso não dedica tempo a você mesma. E quando finalmente você tem tempo para você... se sente péssima, porque lhe faltam experiências autênticas. Por estarmos conectados com outros o tempo todo, nos esquecemos de que nós também contamos e que merecemos tempo em silêncio, conectando com nós mesmos.

P. Mas as redes ajudam a romper a rotina, a ver outras paisagens, países, restaurantes...

R. Nas redes temos que nos adequar, contar a todo mundo como aparentamos ser felizes. Mas não é autêntico, ninguém se lembra de você quando não publica nas redes sociais. A Internet é como Hollywood: lá, sem filme de sucesso você não existe, e, no meu caso, se eu não publicar não interesso a ninguém. Sinto falta das redes do começo da Internet, com pequenas comunidades com gostos afins, onde você ainda podia ser muito mais autêntico sendo anônimo.

P. Por que você acredita que o anonimato na Internet nos torna mais autênticos? Não seria o contrário?

R. Todos carregamos o peso de precisar ser a personalidade que decidimos construir, e você não pode sair dali, precisa alimentar as suas redes. Não gosto da concentração da Internet que existe. Defendo uma rede mais distribuída, não monopolizada, com relações mais autênticas entre as comunidades. Onde se possa controlar melhor o abuso, porque uma empresa grande não se importa e não vai lhe proteger. E, sobretudo, onde não caibam as notícias falsas.

P. Esse negócio das notícias falsas parece incontrolável a esta altura...

R. Claro, porque os anunciantes se importam com as visitas, mas a coisa mudaria muito se eles levassem em conta a veracidade de uma informação antes de colocar o seu anúncio ali. Se realmente se importassem, não pagariam ao veículo que publica notícias falsas.

P. O que necessitamos para viver de um jeito mais autêntico?

R. Precisamos de mais humanidade nos serviços com relação ao público. E precisamos recuperar o valor das coisas, coisas que durem muito tempo e que sirvam para todos, não só para os jovens com alto poder aquisitivo, pois parece que agora só se fabrica para esse setor. A melhor tecnologia tem que ser a que dure mais e a de melhor qualidade, não a que muda rápido.

P. Ouvindo você falar parecesse que não leva em conta que o sistema foi feito para fabricar, usar e jogar fora...

R. Sim, mas o mercado precisa se repensar, porque os recursos naturais se esgotam. Se procurarmos a qualidade, os preços subirão, mas o que você comprar durará mais. As calm technologies estão dentro desse movimento de parar para viver melhor, mais devagar, de forma mais orgânica, mais natural…

P. A chave está em voltar a viver na natureza?

R. Se levássemos a natureza em conta, se a imitássemos, se nos inspirássemos nela, faríamos melhores criações e seríamos muito mais felizes. Ela é a melhor designer, sempre foi. Neste mundo industrial, estamos muito isolados, mas ainda podemos aprender muito com a tecnologia para melhorar nossa qualidade de vida.

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com/brasil

domingo, 26 de novembro de 2017

Ameaças da revolução digital ao desenvolvimento sustentável


Publicado originalmente no site Página 22, em 25 de julho de 2017.

Ameaças da revolução digital ao desenvolvimento sustentável
Por Ricardo Abramovay *

Além de estimular os excessos do consumo, o progresso tecnológico contemporâneo põe em risco a democracia, ao concentrar o controle da informação

A revolução digital é responsável por algumas das mais importantes e promissoras realizações rumo ao desenvolvimento sustentável. A energia solar deverá responder por quase um quarto da geração global de eletricidade em 2040, chegando a 29% do total em 2050, segundo importante relatório recente. O mesmo relatório prevê que os carros elétricos serão 35% do transporte rodoviário individual em 2035 e dois terços do total em 2050. Estes são apenas dois exemplos, mostrando a ciência e a tecnologia como condições necessárias para que se altere de forma radical a maneira como as sociedades contemporâneas usam a energia, os materiais e os recursos bióticos dos quais dependem. Mas, nem de longe, são condições suficientes.

O rumo do progresso tecnológico contemporâneo ameaça os valores básicos do desenvolvimento sustentável em ao menos dois sentidos. O que está em jogo é o cerne do crescimento digital dos últimos dez anos, expresso na inteligência artificial, na computação em nuvem, no aprendizado das máquinas e na utilização sistemática e gratuita, por parte dos gigantes digitais, da massa de dados que cada um de nós lhes oferece involuntariamente e que são a base de sua riqueza e de seu crescente poder.

É com base no rastreamento e na capacidade de analisar e mimetizar as informações transmitidas à rede por meio dos mais diferentes dispositivos digitais (mas, sobretudo, pelos smartphones) que se aperfeiçoam os sistemas de reconhecimento facial e de voz, as traduções e, sobretudo, o conhecimento minucioso e individualizado dos comportamentos, das opiniões, das reações e das aspirações das pessoas. E aqui reside a primeira ameaça ao desenvolvimento sustentável.

Ficou célebre a tirada de John Wanamaker (1838/1922), considerado o pioneiro do marketing contemporâneo: “Metade do dinheiro que eu gasto com publicidade é desperdiçada. O problema é que não sei qual metade”. Desde o surgimento dos smartphones em 2007, essa ignorância foi em boa medida superada e, cada vez mais, a publicidade vem deixando de ser genérica e converte-se em mensagens individualizadas e customizadas.

Mais que mudança na publicidade, a inteligência artificial está dando lugar à emergência do que o recém lançado livro de Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee chama de economia de plataforma e cujos exemplos mais notáveis são o Uber, o AirBnb, a chinesa Alibaba, o Waze e todas as que crescem não pelos ativos materiais de que dispõem, mas pela capacidade de utilizar a internet para reunir sob seu comando uma quantidade crescente de atividades econômicas e de serviços. As plataformas respondem a uma lógica segundo a qual o vencedor leva tudo: se na sua cidade houver seis serviços semelhantes ao Waze, dificilmente algum deles poderá funcionar.

A agilidade das plataformas e o conhecimento individualizado das demandas de consumo de cada um de nós resulta numa capacidade inédita de pressão para ampliar o consumo. Com isso, não só o valor das empresas-plataforma tende a aumentar (tanto mais quanto maior for sua difusão), mas, com ele, o próprio consumo.

A chinesa Alibaba, que não detém estoques, frotas de caminhão e outros ativos típicos dos atacadistas convencionais, atende 300 milhões de pessoas por mês e vale hoje mais que a Walmart. Na celebração chinesa do Dia dos Solteiros (11 de novembro de 2016) a Alibaba vendeu quase US$ 18 bilhões, três vezes o total combinado do Black Friday e do Cyber Monday nos Estados Unidos.

A segunda ameaça aos valores básicos do desenvolvimento sustentável representada pelos rumos da revolução digital nos últimos dez anos, é fundamentalmente política. A pergunta que dá título a um artigo recente de John Elkington não poderia ser mais pertinente: “Google poderia tornar-se Deus”? Não se trata apenas de seu impressionante poder econômico e dos impactos deste poder sobre a concorrência. O mais importante é o conhecimento e, a partir daí, o controle sobre a própria vida dos indivíduos a que as tecnologias digitais contemporâneas estão dando lugar.

Mas será razoável, e compatível com a própria democracia, que uma empresa privada detenha de forma tão concentrada o controle e a capacidade de manuseio dessas informações? Responder a esta pergunta exige que se discuta a proposta do especialista Evgeny Morozov: “Todos os dados de um país deveriam estar em um fundo de dados, do qual todos os cidadãos seriam proprietários… Quem quiser construir novos serviços a partir daí terá que fazê-lo em um ambiente competitivo, altamente regulamento e pagando uma parcela de seus lucros por usá-los”.

Pode parecer tímido, mas seria o início de uma transição significativa para democratizar a sociedade da informação em rede e, portanto, para o desenvolvimento sustentável.

* Ricardo Abramovay é professor sênior do Programa de Ciência Ambiental (Procam) do Instituto de Energia e Ambiente da USP – www.ricardoabramovay.com @abramovay

Texto e imagem reproduzidos do site: pagina22.com.br

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Unit, Google e SEED de olho no futuro

Educadores testam o chromebook.

 Questionamentos e opiniões são apontados por professores.

Alexandre Campos, executivo do Google for Education.

O professor Uchôa espera contribuir com 
a melhoria do ensino ofertando tecnologia de ponta.

O Secretário da Educação professor 
Jorge Carvalho reconhece a importância do convênio

O Superintendente Geral, Professor
 Jouberto Uchôa de Mendonça Júnior, fala da parceria.

Professor Domingos Sávio apresenta a aula do futuro.

Publicado originalmente no site da UNIT, em 10/08/2017.

Unit, Google e SEED de olho no futuro

Instituições discutem projeto de utilização das tecnologias da empresa norte-americana nas escolas públicas e particulares de Sergipe
A Universidade Tiradentes, o Google e a Secretaria de Estado da Educação de Sergipe discutem um projeto para disseminar tecnologias da empresa norte-americana nas escolas públicas e particulares do Estado. O anúncio da parceria foi feito na manhã desta quinta-feira, 10, no ciclo de palestras “Inovação na Escola”. O evento aconteceu no Campus Aracaju Farolândia da Unit e reuniu mais de 200 professores e gestores educacionais.

A iniciativa de aproximar as escolas da mais alta tecnologia educacional utilizada nos países mais avançados é da Universidade Tiradentes. “A Universidade Tiradentes entendeu a importância de trazer essas ferramentas para a sala de aula exatamente para criar um ambiente que estimule a presença do aluno, que ele tenha interesse em vir para a sala de aula. E não falo só do aluno do ensino superior, por isso, nos comprometemos também a capacitar os professores das escolas públicas e particulares”, salienta o superintendente geral do Grupo Tiradentes, professor Jouberto Uchôa de Mendonça Júnior.

A Universidade Tiradentes é referência nacional na utilização do pacote de ferramentas do Google For Education. A parceria já dura um ano. “Estamos muito orgulhosos dessa parceria com a Unit que se utiliza do melhor em tecnologia que existe no mundo, aplicada em sala de aula, para os seus alunos aqui no Nordeste”, reconhece o executivo do Google for Education, Alexandre Campos Silva.

Além de ter acesso às salas interativas e outras ferramentas do Google For Education, os professores e gestores das escolas puderam experimentar o Chromebook, o caderno do futuro. O equipamento permite salvar arquivos em nuvem e já é utilizado por estudantes da Unit, inclusive na realização de provas.

“Espero que com esse trabalho realizado pela a Universidade Tiradentes em parceria com o Google e a Secretaria da Educação possamos contribuir para o crescimento qualitativo das escolas do Estado”, pondera o professor Uchôa.

Texto, vídeo e imagens reproduzidos do site: portal.unit.br

terça-feira, 20 de junho de 2017

A Internet nos deixa mais burros ou mais inteligentes?


A Internet nos deixa mais burros ou mais inteligentes?
Por Isabella Marques.

A internet inegavelmente tomou grande espaço em nossas rotinas e alterou configurações da sociedade nos mais variados âmbitos. A comunicação moldada de “um para muitos”, como é o exemplo da televisão e do rádio, deu lugar ao compartilhamento e interatividade. Quais os efeitos disso em nossas vidas?

Diferente das gerações anteriores, que crescerem vendo televisão (ou seja, uma comunicação unidirecional no qual os receptores são passivos, não há a possibilidade de interação), a era da web faz com que nós produzamos conhecimento juntos, por meio do diálogo global. Todos têm iguais direitos de acessar, debater e expor ideias sobre um determinado assunto, e para isso basta um perfil no Facebook, acesso a fóruns de discussão, ou editar um verbete no Wikipédia, por exemplo.

A facilidade em conseguir informações muda o conceito do que chamamos de “conhecimento”: decorar e saber na ponta da língua o PIB da Argentina, por exemplo, não possui a mesma relevância de antigamente, quando hoje é simples procura-lo no Google. Compreender o que o número significa e saber o que fazer com ele, por outro lado, já são outros quinhentos, algo muito mais complexo.

Mas na rede, a compreensão dos mais diversos assuntos, por sua vez, é aprimorada, pois torna-se objeto de novas reflexões e discussões, "montado" como peças de um quebra cabeça, produzido de pessoas para pessoas, cada um dando a contribuição que pode. Pouco a pouco, seria concebível afirmar que estamos, juntos, compreendendo melhor o mundo via internet.

Em teoria, tudo muito lindo.

O estudioso Mark Bauerlein, porém, coloca: “Muitos se perguntam qual o sentido de saber sobre Dom Pedro 2º quando dá para procurá-lo na Wikipédia. Mas a questão é: estudamos dom Pedro 2º só para saber quando ele nasceu, as coisas que ele fez e o ano em que morreu? Ou estudamos figuras históricas como essa para desenvolver ideias sobre caráter, honra, inteligência e moral?”.

A crítica de alguns atores está no fato de que não usamos a web majoritariamente como essa ferramenta de diálogo e compreensão, mas sim para fazer upload das nossas fotos e escrevermos futilidades.

O problema não está na internet, mas sim no uso que fazemos dela. A começar pelo compartilhamento excessivo de informações, o que é evasivo à nossa privacidade: nós podemos não nos lembrar do que dissemos há anos, mas nas redes, fica lá memorizado, podendo um dia sendo usado contra nós.

Outro aspecto negativo está justamente no fato de qualquer um poder criar conteúdo: nada garante que a informação seja verdadeira (e esse é motivo pelo qual a Wikipédia talvez nunca seja aceita como fonte de pesquisa). Infelizmente sempre haverá alguém que a compartilhará como se fosse veraz, podendo causar todo o tipo de mal entendido.

Quanto aos efeitos a longo prazo, o professor inglês Mark Bauerlein acredita que a internet piora a inteligência dos jovens em quatro aspectos: curiosidade intelectual, conhecimento histórico, consciência cívica e hábitos de leitura. Outros estudiosos sugerem também perda de concentração: fazer mais de uma coisa a mesmo tempo geraria uma fixação de informações e desempenho menor em cada uma das atividades.

Mas aí entra um porém: não parece certo dividir os efeitos da web em "mais inteligentes" ou "mais burros", mas sim em apenas "diferente"; estamos "desenvolvendo" um cérebro mais adaptado/apropriado ao século XXI.

O conhecimento dos jovens parece mais superficial quando comparado com conceitos engessados no passado, em que os inteligentes são aqueles com boas notas, que acumulam livros lidos e se saem bem em ciências exatas. As novas gerações entretanto já nasceram imersas nas tecnologias e na globalização; o questionamento de ideias e ideais vigentes é consequência natural. Os modelos educacionais e esteriótipos intelectuais estão ultrapassados em relação ao modo como pensamos e nos comunicamos atualmente. Tirar notas altas, ler milhares de livros e simplesmente saber recitar a formula de Bhaskara já não tem o mesmo peso.

Don Tapscott, pesquisador canadense, exemplifica: “se os jovens estão no local de trabalho a desperdiçar tempo no Facebook, isso não é um problema de tecnologia. É um problema de fluxos de trabalho, motivação, supervisão”.

Os testes aplicados para definir se as tecnologias nos deixam mais estúpidos ou inteligentes são também baseados em concepções antigas, realizados sem uma compreensão integral da efetividade das tecnologias, e tão pouco de como funciona o cérebro de quem convive com elas desde o dia em que nasceu. E isso por questão de tempo inclusive: a internet se tornou acessível à população civil nos últimos 20 anos aproximadamente, e portanto ainda é muito cedo para um veredicto sobre seus efeitos.

Estamos cada dia mais conectados, inseridos em um contexto tecnológico que pede cada vez mais participação, desenvolvendo novas habilidades e interesses. Por enquanto é apenas possível afirmar que a internet propicia um aprimoramento intelectual individual em questões como a habilidade em fazer variadas tarefas simultaneamente, pensamento lógico e capacidade de tomar decisões, enquanto que num contexto mais amplo tem permitido a humanização do conhecimento ao refletir quem nós realmente somos. Se isso é bom ou ruim, só o tempo poderá dizer.

(Este texto foi baseado nos estudos, textos e obras dos estudiosos Mark Bauerlein, Nicholas Carr, Don Tapscott e David Weinberger.).

Texto e imagem reproduzidos do site: obviousmag.org

quinta-feira, 8 de junho de 2017

“A internet é o spoiler da curiosidade”, diz Walter Longo.

Walter Longo, presidente do grupo Abril, durante palestra no Fórum
 A Revolução do Novo:  A Transformação do Mundo.
Foto: Antonio Milena/VEJA.com.

“A internet é o spoiler da curiosidade”, diz Walter Longo.

Presidente do Grupo Abril abriu a terceira edição do fórum 'A Revolução do Novo', hoje em São Paulo

Por Revista Exame.


O presidente do Grupo Abril, Walter Longo, abriu nesta segunda-feira a terceira edição do fórum A Revolução do Novo. Promovido por VEJA e EXAME, com apoio da Coca-Cola, o evento discute mudanças na economia, política, tecnologia e sociedade, e o terceiro encontro da série teve por tema “A transformação do mundo”.

“Vamos falar aqui sobre um tema que temos discutido, que é o trilema digital. Quem assistiu à série Black Mirror viu nela críticas mordazes à era digital e ao seu impacto na sociedade. Meu objetivo aqui não é criticar, mas dizer que precisamos estar alertas sobre alguns desafios à nossa frente”, disse Walter Longo. Segundo o executivo, o universo digital traz infinitas possibilidades, mas desafios muito relevantes. Ele citou três grandes tendências que estão preocupando cientistas sociais e tirando o sono de empresários e executivos.

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“A primeira característica que deve chamar nossa atenção é a exteligência”, disse. Hoje, explicou, o conhecimento não precisa mais ser armazenado no cérebro, uma vez que basta um toque no smartphone para acessar um mundo de informações. “O problema é que, se tudo o que eu tiver de guardar, eu o fizer em outro lugar que não o meu cérebro, os neurônios não se conectam e não fazem sinapses. Não há geração de insights”, afirmou Longo.

Como explica o executivo, é a partir da referência que se gera repertório, que, por outro lado, gera ideias. “Ora, se eu não tenho nada na minha cabeça, sem dúvida a qualidade do meu pensamento será reduzida”. Na visão do presidente do Grupo Abril, “sem o combustível do conhecimento embarcado não vamos tão longe”.

Para ele, a facilidade de obter conhecimento deve ser celebrada: nunca foi tão fácil obter conhecimento e, além disso, não é mais necessário armazená-lo no cérebro. Mas isso resulta na diminuição da curiosidade, segundo o executivo.”Curiosidade está para o conhecimento como a libido está para o sexo, como diz o economista Eduardo Gianetti”, citou Longo.

De acordo com Longo, estamos vendo uma polarização da sociedade entre os curiosos e os descuriosos. “A internet está tornando os espertos mais espertos e os estúpidos muito mais estúpidos”, afirmou o executivo. Segundo ele, a curiosidade pode virar algo exclusivo das elites cognitivas. “As elites não serão mais identificadas pelo dinheiro que possuem ou pelo lugar social que ocupam, e sim por sua capacidade de pensar”, disse. Walter Longo define a internet como o spoiler da curiosidade.

O segundo ponto preocupante desse trilema digital é o tribalismo. Antes da era digital, a televisão era dividida entre os membros da família. “Eu estava sempre frente a frente com escolhas que não eram minhas. Assistia a jogos de futebol de times que eu não conhecia e passei a descobrir o prazer do espetáculo esportivo”, afirmou. Alguém de esquerda, conta Walter,  deparava com opiniões de direita no jornal, e muitas vezes acabava revisando as convicções. “O contraditório nos obrigava a revisitar teses para estar constantemente confirmando ou alterando nossas crenças, hábitos e preferências”, explicou. Foi assim com a geração X. Mas hoje isso está acabando.

As pessoas só leem o que querem, ouvem o que gostam, só assistem ao que gostam, argumentou o executivo. “A polarização política que a gente enxerga hoje no Brasil tem seu palco nas redes sociais, que só reforçam essa tendência maniqueísta”, disse, assinalando que o uso crescente de algoritmos tornou esse fenômeno mais agudo. “Se entro no Spotify e peço para ouvir pagode, para o resto da vida sempre vão me sugerir pagode”, disse. Na visão dele, estamos assistindo ao fim do contraditório e à perda da opinião. “E isso traz como consequência pessoas cada vez mais sectárias”, alertou. Violência e indiferença são os riscos nesse cenário.

A terceira característica que Longo apresentou dentro do trilema digital é o compartilhamento. De acordo com ele, é preciso avaliar qual é o impacto econômico dessa tendência de consumir menos e compartilhar mais. “Menos carros particulares e mais carros compartilhados, menos hotéis e mais casas compartilhadas, menos escritórios e mais espaços de coworking. Essa é uma tendência sem volta, mas que traz o risco da desaceleração da espiral econômica. Vamos ter aí na frente um desafio”, disse Longo. Devemos ir em busca disso, na opinião dele, pois é o caminho do consumo consciente. “Novas gerações parece que não querem consumir nada, mas querem aproveitar tudo”, diz Longo.

Tudo isso é bom, mas é preciso pensar no impacto disso para a economia, propõe o executivo, “já que ninguém em sã consciência é a favor do consumo irresponsável”. De acordo com Longo, devemos e precisamos ser otimistas em relação ao futuro, e por isso ele chama todas as questões de trilema, já que não as vê como problema. A questão que se coloca é enfrentar, analisar e resolver. “Não adianta achar que está tudo em ordem”, disse.

O mundo sempre se sobressaltou quando surgiram problemas que pareceriam insolúveis, lembrou o executivo. “Quando o problema surge, somos impactados e não vemos saída. A solução só aparece depois. Se aparecesse antes, não existiria o problema”, disse.

Texto e imagem reproduzidos do site: veja.abril.com.br

sábado, 20 de maio de 2017

Saiba qual é a rede social que mais impacta a saúde mental

Apesar dos impactos negativos, 1.479 dos jovens disseram que
o Instagram também promove formas de expressão e a busca
pela identidade pessoal, assim como Twitter e YouTube.
iStock/Getty Images.

Publicado originalmente no site da revista Veja, em 19 maio 2017.

Saiba qual é a rede social que mais impacta a saúde mental.

Segundo novo estudo, o Instagram é a rede social que tem maior impacto na saúde mental dos jovens, em questões como aceitação do corpo, ansiedade e solidão.

Por Da Redação.

De acordo com um estudo da Sociedade Real para Saúde Pública, do Reino Unido, o Instagram é rede social que mais impacta negativamente a saúde mental dos jovens. O questionário criado pelos pesquisadores mostrou que o aplicativo de compartilhamento de imagens afeta de forma negativa o sono, a percepção do corpo e o fear of missing out (em tradução livre, o ‘medo de ficar por fora’) dos usuários britânicos, principalmente mais jovens.

A necessidade de estar sempre online para acompanhar as postagens dos amigos pode ser extremamente prejudicial, levando a comparações irreais, ansiedade e depressão.

Opinião dos jovens

Na pesquisa, 1.500 jovens britânicos com idade entre 14 e 24 anos avaliaram como as plataformas de mídias sociais que usavam impactavam questões como depressão, ansiedade, solidão e o senso de comunidade. O site com mais respostas positivas foi o YouTube, seguido pelo Twitter e Facebook. Já os aplicativos Snapchat e Instagram foram considerados os piores nestes quesitos. Um problema presente em quase todas as mídias foi o vício no uso das redes, que pode estimular a insônia.

Só o Instagram tem 500 milhões de usuários ativos e mais de 95 milhões de fotos postadas e 3,5 bilhões de curtidas diariamente. “É interessante como o Instragram e o Snapchat, ambos aplicativos focados no culto à imagem, foram indicados como os piores para a saúde mental e bem-estar. Eles parecem estar mais ligados ao sentimento de inadequação e ansiedade entre os mais jovens”, explicou Shirley Cramer, chefe executiva da Sociedade Real para Saúde Pública, ao The Telegraph.

Um dos participantes do questionário apontou a constante preocupação com o que os outros pensam sobre suas fotos e postagens. Outro entrevistado contou também que passa muito tempo nas redes e acaba perdendo o sono, atividades escolares e até oportunidades de sair com amigos e familiares.

Busca pela identidade

“As plataformas que deveriam ajudar as pessoas a se conectarem com outras podem, na verdade, estar alimentando uma crise na saúde mental”, disse a equipe de pesquisa em comunicado. Apesar disso, 1.479 dos jovens disseram que o Instagram também promove formas de expressão e a busca pela identidade pessoal, assim como Twitter e YouTube. O site de compartilhamento de vídeos foi classificada como uma mídia para aumentar a conscientização dos jovens. Já o Facebook foi listado como um importante meio para busca de apoio emocional e coletividade.

Segundo Becky Inkster, pesquisadora honorária da Universidade de Cambridge, jovens e adolescentes sentem a necessidade de se sentirem confortáveis ao falarem sobre problemas pessoais e acabam recorrendo às redes sociais e ambientes online. “Como profissionais da saúde, precisamos fazer todas as tentativas para entender as expressões, os léxicos e os termos da cultura da juventude moderna para melhor se conectar com seus pensamentos e sentimentos”, explicou ao The Telegraph.

Alertas nas redes sociais

Segundo o estudo, sete em cada 10 dos jovens entrevistados acham importante que as redes sociais, como o Twitter e o Facebook, apresentem algum suporte sobre o assunto. No entanto, os alertas atuais são bastante discretos.

Em relatório, os especialistas sugeririam que os sites em questão procurassem alertar os usuários sobre os riscos relacionados ao comportamento e acesso constante, considerado vicioso, e ajudá-los a procurar ajuda, caso demonstre perigo à saúde mental.

Texto e imagem reproduzidos do site: veja.abril.com.br